MP de Mato Grosso do Sul investiga infestação de moscas em Angélica e Ivinhema envolvendo usina e granja
Ministério Público apura possíveis impactos ambientais e à saúde pública causados por usina em Angélica e granja em Ivinhema com proliferação de moscas.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) iniciou investigações sobre a proliferação de moscas em dois municípios do estado: Angélica e Ivinhema. As apurações tratam de suspeitas de impactos ambientais e riscos à saúde pública relacionados a uma usina de açúcar e álcool em Angélica e a uma granja avícola em Ivinhema.
Investigação em Angélica
Em Angélica, os moradores e produtores rurais relataram danos à criação de animais, à produção de leite e transtornos na rotina diária devido à infestação de moscas do estábulo. O inquérito civil instaurado pelo MPMS busca esclarecer se as atividades da usina localizada na zona rural podem estar vinculadas à proliferação dos insetos.
Uma das hipóteses em análise considera o manejo inadequado de resíduos orgânicos gerados pela usina, como a vinhaça, que poderia favorecer a reprodução das moscas. Vistorias da Polícia Militar Ambiental identificaram as condições da área de compostagem e dos reservatórios da usina, enquanto o MPMS coleta documentos técnicos para aprofundar a análise.
A usina possui licença de operação regular emitida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), válida até 2031, mas o Ministério Público avalia se as atividades podem resultar em impactos ambientais e riscos à saúde pública da região.
Situação em Ivinhema
Em Ivinhema, a investigação refere-se a uma granja avícola que foi interditada após fiscalização identificar larvas vivas de moscas em diferentes estágios de desenvolvimento, além de problemas no manejo dos resíduos e no controle de pragas.
A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) constatou acúmulo de dejetos das aves a céu aberto, telas danificadas nos galpões, falhas na aplicação de inseticidas, entre outras irregularidades. Após as constatações, as instalações receberam notificação para realizar adequações técnicas específicas, incluindo a construção de área impermeabilizada para secagem dos resíduos e sistemática de contenção de chorume.
Apesar de algumas melhorias verificadas em vistorias posteriores e da adoção emergencial de medidas pela granja, os moradores do bairro Eco Park continuam a relatar a presença de moscas nas residências próximas. A empresa recusou assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), afirmando que está atuando para sanar as pendências por conta própria.
Providências e próximos passos
Nos dois municípios, o MPMS busca determinar a origem exata da infestação e a responsabilidade das empresas envolvidas. Em Ivinhema, foram marcadas audiências com moradores, solicitada perícia técnica ambiental e determinado o acompanhamento rigoroso das exigências dos órgãos fiscalizadores. A empresa tem prazo para apresentar defesa e considerações técnicas.
Em Angélica, a investigação seguirá com análise detalhada de documentos e embasamento técnico para verificar a relação entre a atividade da usina e a ocorrência de moscas.
Até o momento, os inquéritos estão em andamento, e não há confirmação definitiva de que as empresas sejam as únicas responsáveis pelos transtornos relatados pelos moradores.