Irmãos adotados por casal italiano passam por delicada adaptação antes de mudança para a Itália
Crianças de 8 e 9 anos viveram período de convivência com os novos pais em Goiás, com acompanhamento judicial intensivo antes da adoção ser autorizada.
Dois irmãos brasileiros, de 8 e 9 anos, adotados por um casal italiano, passaram por um período delicado de adaptação em Goiás antes de se mudarem para a Itália. As crianças viviam em uma instituição de acolhimento em São Luís de Montes Belos, no interior do estado, e foram submetidas a um processo acompanhado por profissionais para garantir uma transição segura e gradual.
Antes do contato presencial, os futuros pais, Nicola D’Alba e Maria Cristofaro, realizaram seis videochamadas com as crianças. Para superar a barreira do idioma, eles organizaram um teatro de bonecos, facilitando a aproximação afetiva entre eles. Em seguida, o casal viajou ao Brasil para iniciar o estágio de convivência, que durou 30 dias em Goiânia.
Durante esse período, uma equipe técnica realizou 15 visitas à família para monitorar a adaptação e elaborar relatórios destinados ao juiz responsável, Ageu de Alencar Miranda, da Vara da Infância e Juventude de São Luís de Montes Belos. O magistrado também visitou a família e, ao final do processo, autorizou a adoção em 27 de agosto, emitindo uma mensagem de boas-vindas em italiano.
O convívio inicial apresentou desafios comuns à adoção internacional, como diferenças culturais, rotinas e comunicação. Maria Cristofaro, a mãe adotiva, mencionou episódios difíceis e momentos em que pensou em desistir, mas ressaltou o apoio recebido do marido e da equipe envolvida.
Após a formalização da adoção, os irmãos se mudaram para Bari, no sul da Itália. Eles foram apresentados aos familiares dos novos pais e começaram a frequentar a escola local. O acompanhamento da nova família seguirá sendo realizado por dois anos, conforme o previsto pelo protocolo de adoção internacional.
O casal italiano decidiu pela adoção após experiências pessoais ligadas ao trabalho voluntário e auxílio a imigrantes. A iniciativa também foi fortalecida após uma viagem a Lourdes, na França. A adoção seguiu os critérios legais previstos no Brasil para casos em que não há pretendentes nacionais para o perfil das crianças.
O processo foi acompanhado pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional de Goiás (Cejai-GO) e pela Vara da Infância e Juventude de São Luís de Montes Belos, garantindo o cumprimento das normas específicas para adoção internacional, com diversas etapas de avaliação e acompanhamento técnico.