Professores de escola rural no DF denunciam assédio moral e perseguição por parte da diretora
Nove servidores apresentaram atestados médicos em decorrência de denúncias de assédio e retaliações na Escola Classe Café sem Troco.
Professores da Escola Classe Café sem Troco, localizada na zona rural do Distrito Federal, relataram situações de assédio moral e perseguição atribuídas à diretora da unidade escolar. As denúncias vêm sendo feitas desde 2024, com intensificação nos relatos após a retornada da gestora ao cargo, em 2026, mesmo antes da conclusão do processo administrativo instaurado contra ela.
Os servidores afirmam que a diretora impôs coações para evitar reprovações e promovia o uso de cartilhas produzidas por ela, em substituição aos livros oficiais da Secretaria de Educação. Além disso, os relatos indicam episódios de isolamento de funcionária em sala inadequada e acusações de retaliações direcionadas aos docentes que manifestaram opiniões críticas à gestão.
Segundo os professores, oito de 13 denunciantes apresentaram atestados médicos correlacionados ao ambiente de trabalho afetado pelas alegações de assédio moral. Algumas ocorrências foram formalizadas em boletins de ocorrência.
O conjunto de reclamações inclui ainda a utilização indevida da infraestrutura da escola, como a proibição de uso de uma sala para atendimento aos alunos, com posterior obstrução do espaço para uso dos educadores, e práticas vedadas por lei, como a venda de doces e balinhas no ambiente escolar. Também foi apontado uso do grupo de pais e mestres para divulgação de propaganda política.
Os docentes relataram interferências diretas no trabalho pedagógico, destacando a criação de um projeto de “apadrinhamento” para acompanhar as aulas e pressão para evitar reprovações no quinto ano, visando melhorar indicadores oficiais como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
A Secretaria de Educação do Distrito Federal informou que o processo administrativo corre em sigilo e que a denúncia referente ao uso das cartilhas não autorizadas foi considerada improcedente.
Os professores da Escola Classe Café sem Troco enviaram uma carta à governadora Celina Leão expressando preocupação com condutas que classificam como “autoritárias e persecutórias”, além de dificuldades de diálogo e problemas na gestão da unidade.