MPT processa diplomata aposentada e filho por trabalho análogo à escravidão em área nobre de Brasília
Ministério Público do Trabalho denuncia Vera Lúcia Barrouin e Rodrigo Barrouin por manter funcionária em condições de trabalho análogas à escravidão no Lago Sul.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação civil pública contra a diplomata aposentada Vera Lúcia Barrouin e seu filho, Rodrigo Barrouin, acusando-os de exploração de trabalho análogo à escravidão na residência da família, localizada no Lago Sul, região nobre de Brasília.
De acordo com informações do MPT, uma funcionária de 68 anos prestava serviços domésticos e assistência pessoal de forma contínua à diplomata, que é portadora de Alzheimer, sem folgas regulares ou registro em carteira. Segundo o relato da trabalhadora, que atua na casa há 35 anos, o trabalho é extenuante e ela manifestou o desejo de deixar o emprego, mas permanecia em tempo integral, inclusive em finais de semana e feriados.
A mulher afirmou ainda que escondia o celular para evitar que a empregadora o confiscasse, evidenciando um ambiente de restrição de sua liberdade. As únicas ausências da residência eram durante as férias da trabalhadora.
A ação civil pública solicitada pelo MPT tramitará na Justiça do Trabalho e pede a condenação dos acusados ao pagamento de indenizações que totalizam R$ 800 mil. Até o momento, a defesa de Vera Lúcia e Rodrigo Barrouin não foi localizada para comentar o caso.
Este processo levanta questões relevantes sobre os direitos dos trabalhadores domésticos, especialmente quanto ao respeito à legislação trabalhista e aos direitos humanos, dentro de áreas abastadas de Brasília.