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Distrito Federal

Polícia Federal ouve ex-presidentes do BRB e do Banco Master em inquérito sobre operações financeiras

Depoimentos de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa foram tomados em Brasília no âmbito de investigação sobre o aumento de capital do BRB e negociação com o Banco Master.

16/10/2026 às 16h58

A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (15) depoimentos presenciais com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, ambos presos na Papudinha, em Brasília, na investigação que apura operações entre o BRB e o Banco Master ocorridas entre 2024 e 2025.

Paulo Henrique Costa foi ouvido pela manhã, também na Papudinha, enquanto Daniel Vorcaro prestou seu depoimento à tarde na Penitenciária da Papuda, com duração aproximada de quatro horas. Até a publicação, o conteúdo das declarações não havia sido divulgado.

O inquérito concentra-se em aspectos como o aumento de capital do BRB e a tentativa, posteriormente barrada pelo Banco Central, de aquisição do Banco Master. O BRB chegou a investir cerca de R$ 16,7 bilhões na operação que não foi concretizada, diante da descoberta de que algumas carteiras adquiridas continham ativos fraudulentos e sem lastro, ligadas à consultoria Tirreno.

Leia também: Daniel Vorcaro atribui crise do BRB à operação da Polícia Federal e nega fraudes

Adicionalmente, as investigações apontam que o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), teve participação direta na estratégia financeira que viabilizou o intento de compra do Banco Master entre 2024 e 2025.

Posicionamento da defesa de Daniel Vorcaro

A defesa de Daniel Vorcaro divulgou nota afirmando que seu cliente colaborou com todas as perguntas durante o depoimento, fornecendo esclarecimentos fundamentais para a apuração. Reforçou que não houve prejuízo ao BRB ou a seus clientes, que as operações foram lícitas e respaldadas por decisões técnicas e colegiadas.

Também destacou que a alegação de fraude bilionária envolvendo carteiras da Tirreno não se confirmou, pois o negócio não foi concluído, não tendo causado danos ao BRB, com os negócios entre as instituições gerando resultados positivos.

Segundo a defesa, a crise reputacional do BRB teria origem na deflagração precipitada da Operação Compliance Zero, que abalou a confiança da instituição. Por fim, pediram o arquivamento do inquérito por ausência de provas e a revogação da prisão preventiva de Vorcaro, defendendo que ele continue colaborando com a Justiça em liberdade.

Este caso marca um capítulo conturbado para o Banco de Brasília, cujo acionista majoritário é o governo do Distrito Federal, enfrentando sua maior crise em função das perdas associadas às operações com o Banco Master.

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