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Belém

Helder Barbalho garante vaga no Senado, mas Hana Ghassan é derrotada na disputa pelo governo do Pará

Enquanto Helder Barbalho assegurou vaga no Senado e ajudou Chicão a ser eleito, Hana Ghassan perdeu para Dr. Daniel no primeiro turno governamental.

17/10/2026 às 18h43

O ex-governador Helder Barbalho (MDB) conquistou a vaga para o Senado Federal nas eleições de 2026 pelo Pará e também conseguiu eleger o aliado Chicão (União Brasil) para a segunda cadeira do Senado. Contudo, seu projeto de continuidade no Palácio do Governo não obteve êxito, com a atual governadora e candidata à reeleição Hana Ghassan (MDB) sendo derrotada no primeiro turno pelo ex-prefeito de Ananindeua, Dr. Daniel (Podemos).

Com 97,46% das urnas apuradas, Dr. Daniel recebeu 2.303.759 votos (51,75%), enquanto Hana Ghassan obteve 2.052.759 votos (46,11%). A disputa revelou uma divisão na preferência do eleitorado: enquanto Hana foi vitoriosa em 80 dos 144 municípios paraenses, majoritariamente os menores, Dr. Daniel teve desempenho superior nas grandes cidades, como Belém e Ananindeua, que compõem a região metropolitana.

Influência do palanque tradicional e autonomia do eleitorado urbano

Especialistas eleitorais destacam que o interior do Pará mantém o “palanque tradicional”, baseado em acordos políticos com lideranças locais, sobre o qual Hana Ghassan contou para sua votação. Em contraste, o eleitor das grandes cidades mostrou mais independência nas urnas, influenciado por debates públicos, redes sociais e insatisfação com serviços públicos, o que favoreceu Dr. Daniel.

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O professor Gustavo Ribeiro, da UFPA, ressaltou que Helder Barbalho conseguiu construir uma extensa base de apoio político no estado, que permaneceu durante a gestão de Hana. No entanto, esse apoio não foi suficiente para conquistar as regiões metropolitanas, onde o eleitorado é menos alinhado às disputas políticas locais.

Construção da identidade política e estratégias de campanha

Ao contrário de outros aliados de Helder, como Chicão e Igor Normando, que já detinham marca eleitoral estabelecida, Hana Ghassan precisou consolidar uma identidade política própria durante a campanha, um desafio relevante considerando sua curta exposição pública. Ela presidiu o Comitê da COP 30 e assumiu o governo em abril de 2026 após a saída de Helder para o Senado.

O cientista político Rodolfo Marques aponta que, além da dificuldade de construir imagem própria, outros fatores contribuíram para o resultado: desgaste natural do grupo Barbalho, apresentação de Dr. Daniel como alternativa competitiva e articulação da direita contra o “barbalismo”.

Rompimento e oposição

Dr. Daniel iniciou sua trajetória política dentro do grupo de Helder Barbalho, ocupando cargos como deputado estadual e prefeito de Ananindeua com apoio do ex-governador. Posteriormente, rompeu com o MDB e se tornou principal oposição, assumindo o papel de “antibarbalismo” no estado.

Durante a campanha, Dr. Daniel destacou críticas à gestão anterior, como a concessão do abastecimento de água e a cobrança de pedágios nas rodovias estaduais, ambas implementadas durante o governo de Helder. Além disso, ele reuniu apoio de segmentos da direita, agronegócio e simpatizantes do bolsonarismo.

Alianças nacionais e limites do capital político

Embora Lula tenha sido o candidato presidencial mais votado no Pará, Hana Ghassan teve pouca associação pública com o presidente durante a campanha, salvo um comício na Praça da República em Belém. Para analistas como Gustavo Ribeiro, essa falta de aproximação à campanha nacional, especialmente ao petista, representou erro estratégico.

Especialistas destacam que o resultado não representa rejeição definitiva a Helder Barbalho, mas evidencia limites da transferência automática de votos dentro de um grupo político.

Próximos passos

Dr. Daniel assumirá o governo do Pará em 6 de janeiro de 2027, tendo como vice Ellayne de Almeida (Podemos), liderança conservadora do oeste paraense. Entre seus primeiros atos está prevista a rescisão do contrato de concessão do saneamento estadual.

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