El Niño eleva calor e põe em risco saúde de motoristas em Belém
El Niño eleva temperaturas e expõe profissionais por aplicativo a condições insalubres na capital paraense.
O fenômeno climático El Niño tem provocado temperaturas mais altas em Belém, expondo motoristas e entregadores por aplicativo a condições severas de calor durante suas jornadas de trabalho. Segundo especialistas, a combinação da radiação solar intensa, o calor irradiado pelo asfalto e a emissão dos motores dos veículos intensificam o desconforto e acarretam riscos à saúde desses profissionais.

Motociclistas são particularmente vulneráveis ao enfrentarem uma "dupla exposição" ao calor — do asfalto e do motor — além da radiação solar direta. O professor Edivaldo Afonso de Oliveira Serrão, doutor em meteorologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA), explica que o El Niño influencia a circulação atmosférica, causando redução das chuvas e maior insolação na região amazônica, o que eleva as temperaturas em Belém e cidades vizinhas.

Profissionais como Eluan Luis, que atua como motociclista por aplicativo há cinco anos, relatam mal-estar durante os períodos mais quentes, embora estes horários concentrem maior demanda por corridas e entregas. O médico do trabalho Gustavo Almeida ressalta que os efeitos do calor são imediatos e acumulativos, afetando a saúde e a capacidade de reação dos trabalhadores.
Responsabilidade das plataformas e medidas de apoio
O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8), representado pelo desembargador Paulo Isan Coimbra Júnior, reconhece a responsabilidade das plataformas digitais na preservação da saúde desses trabalhadores, mesmo na ausência de vínculo empregatício tradicional. Com isso, o TRT-8 implementou um ponto de apoio na sua sede em Belém, oferecendo água potável, banheiros, recarga para celulares e áreas para descanso e recuperação física dos motoristas e entregadores.
Uber, 99 e iFood encaminham as demandas relativas à categoria para a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que destacou a autonomia dos profissionais na escolha dos horários de trabalho e mantém diálogo constante para buscar o conforto mútuo entre trabalhadores e passageiros. Porém, a associação não especificou ações específicas para prevenir os efeitos do calor extremo.
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