Flávio Bolsonaro e Lula alteram discursos sobre programas sociais, maioridade penal e trabalho na campanha de 2026
Candidatos à Presidência mudaram posições sobre Bolsa Família, maioridade penal e jornada de trabalho durante a disputa eleitoral.
Os candidatos à Presidência da República na eleição de 2026, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), têm alterado seus posicionamentos sobre questões centrais como programas sociais, segurança pública e direitos trabalhistas, conforme demonstra um levantamento publicado pelo G1.
Flávio Bolsonaro, que em publicações entre 2011 e 2013 chegou a criticar o programa Bolsa Família classificando-o como “bolsa-farelo” e um mecanismo de clientelismo do PT, passou a defender a manutenção do benefício. Em discursos recentes, ele qualificou o Bolsa Família como um direito adquirido e defendeu sua manutenção, propondo inclusive uma ampliação da regra de transição para que beneficiários continuem recebendo parte do auxílio por até dois anos após conseguirem emprego formal ou abrir um negócio.
Por sua vez, Lula mudou sua posição histórica sobre a redução da maioridade penal. Enquanto se manifestava contrariamente a essa redução em anos anteriores, inclusive criticando propostas do tipo em 2007 e 2015, o presidente e candidato passou a defender, durante a campanha de 2026, a redução da maioridade penal para 16 anos nos casos de crimes hediondos, posição que explicou em entrevistas recentes.
Mudanças em direitos trabalhistas e políticas tributárias
Flávio Bolsonaro também modificou sua postura em relação à escala de trabalho 6×1, na qual o trabalhador tem seis dias consecutivos de expediente para um dia de descanso. Inicialmente, defendeu uma proposta alternativa de jornada sem diminuição do salário, mas decidiu apoiar a votação que acabava com essa escala, reconhecendo a mudança em debates e explicando que sua decisão foi influenciada pelo diálogo com trabalhadores durante a campanha.
Já o governo de Lula reviu sua posição sobre a “taxa das blusinhas” – imposto federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, implementado em 2024 como medida para proteger a indústria nacional. Após adotar a cobrança inicialmente, em 2026 Lula passou a defender a revogação do imposto, justificando que a medida prejudicava consumidores de menor renda. Em abril de 2026, editou uma medida provisória para zerar o imposto e, em setembro, sancionou a lei que extinguiu definitivamente a cobrança.
Contexto das mudanças
As alterações nos discursos e posições dos dois candidatos ocorreram no contexto da campanha presidencial de 2026, permeadas por debates públicos, entrevistas e votações legislativas. Flávio Bolsonaro em particular reconheceu em debates ter mudado de opinião sobre temas como a escala 6×1. Lula, por sua vez, reconheceu em entrevistas recentes que sua posição sobre a maioridade penal evoluiu ao longo do tempo até o atual apoio à redução em casos específicos.
Essas mudanças refletem adaptação às demandas do eleitorado e respostas às críticas recebidas, influenciando o cenário político e eleitoral que se aproxima do segundo turno.