Dólar fecha em baixa a R$ 5,02 influenciado por cenário eleitoral e queda no exterior
Moeda americana registra queda frente ao real em contexto de expectativas eleitorais no Brasil e recuo global do dólar.
O dólar comercial encerrou o dia em queda frente ao real, fechando a R$ 5,0182, com recuo de 0,58% nesta terça-feira. A baixa reflete movimentações tanto no cenário internacional, com desvalorização da moeda norte-americana frente a outras divisas, quanto o contexto político brasileiro, marcado pela proximidade do segundo turno das eleições presidenciais.
Durante a sessão, a moeda americana também cotada no mercado futuro para novembro caiu 0,50%, negociada a R$ 5,0280 na B3 às 17h02. No exterior, o dólar perdeu valor perante moedas como o iene, a libra esterlina, o euro e o franco suíço. Além disso, os rendimentos dos títulos públicos americanos de longo prazo recuaram, influenciando negativamente o dólar.
Nas moedas de países emergentes, o dólar apresentou perdas ante o peso chileno, o sol peruano e o rand sul-africano, tendência que repercutiu no Brasil favorecendo a queda da divisa.
O noticiário político brasileiro teve papel relevante, especialmente com novas pesquisas eleitorais que mostram vantagem numérica nas intenções de voto para o senador Flávio Bolsonaro (PL) em relação ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar da disputa considerada acirrada. Jonathan Joo Young Lee, responsável pela mesa internacional e câmbio da Mirae Asset, destacou que o mercado já precifica a possível vitória de Flávio Bolsonaro, o que pode contribuir para valorização do real e redução dos prêmios no mercado futuro de juros caso tal cenário se confirme.
O índice Ibovespa superou os 208 mil pontos, beneficiado pelo fluxo de entrada de investimentos estrangeiros, fator que também sustentou a apreciação da moeda brasileira. O economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, comentou que o movimento do capital internacional reforça o real, enquanto a agenda eleitoral mantém volatilidade no mercado.
Ao longo da tarde, o dólar à vista atingiu o menor valor intradiário de R$ 5,0044 (-0,86%). Embora não haja clareza sobre as propostas concretas para ajuste fiscal por parte do candidato Flávio Bolsonaro, a percepção de que um eventual governo dele promoveria maior controle das finanças públicas tem impactado positivamente o câmbio. Contrariamente a essa expectativa, o próprio candidato anunciou que pretende reativar o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), medida criada durante a pandemia para apoiar esses setores e que gerou alto custo fiscal.
Jonathan Lee ressalta a falta de detalhes sobre o plano fiscal do candidato, mencionando que apesar disso, o mercado reagiu de forma otimista após o primeiro turno.
Expectativas para as próximas pesquisas eleitorais permanecem, com levantamentos da Quaest previstos para quarta-feira e do Datafolha na quinta-feira, que poderão influenciar a dinâmica dos mercados.
Em operações cambiais, o Banco Central realizou vendas de 75 mil contratos de swap cambial para rolar posições com vencimento em 3 de novembro, sem impacto imediato na cotação do dólar.
Com relação à moeda americana em âmbito global, o índice que mede seu desempenho contra uma cesta de seis moedas estrangeiras caiu 0,25%, ficando em 101,710, reforçando o cenário de enfraquecimento da divisa nos mercados internacionais.