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Mercado de capitais brasileiro bate recorde de R$ 556,7 bilhões até setembro com queda na renda fixa

Até setembro de 2026, mercado de capitais brasileiro alcançou recorde histórico em captações, com destaque para a redução da participação da renda fixa.

20/10/2026 às 16h38  ·  Atualizado em 20/10/2026 às 16h39

O mercado de capitais brasileiro atingiu um volume recorde de captações nos primeiros nove meses de 2026, totalizando R$ 556,7 bilhões, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) nesta terça-feira (20). O montante representa uma alta de 5,3% em relação ao mesmo período de 2025, configurando o maior valor já registrado para o acumulado entre janeiro e setembro.

Entretanto, houve uma mudança na composição desse volume, com retração da renda fixa e crescimento dos instrumentos híbridos e da renda variável. A renda fixa permaneceu como a principal fonte de recursos, porém registrou uma redução de 9,8% na comparação anual, movimentando R$ 441 bilhões. Em contraponto, os instrumentos híbridos, que englobam fundos imobiliários (FIIs) e Fiagros, tiveram crescimento de 127%, alcançando R$ 80,8 bilhões. A renda variável cresceu de R$ 4,2 bilhões para R$ 34,8 bilhões, demonstrando maior diversificação nas fontes de captação.

Segundo Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, esses números indicam uma diversidade saudável de opções para financiamento empresarial, alinhada ao cenário atual de oportunidades. Para Cesar Mindof, diretor da associação, o aumento na participação de instrumentos distintos da renda fixa demonstra amadurecimento do mercado, especialmente em cenários econômicos desafiadores.

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Volume trimestral e segmentos do mercado

Entre julho e setembro, as emissões somaram R$ 187,7 bilhões, volume praticamente estável em relação ao semestre anterior, que registrou R$ 186,9 bilhões. No terceiro trimestre, a renda fixa operou com R$ 145,2 bilhões, queda de 3,5% frente aos três meses anteriores, enquanto os instrumentos híbridos cresceram 32,7%, totalizando R$ 32,9 bilhões. As ofertas de ações somaram R$ 9,6 bilhões no período.

Dentro da renda fixa, as debêntures totalizaram R$ 86,1 bilhões no terceiro trimestre, com 131 operações, aumento de 13,7% em relação ao trimestre anterior, porém insuficiente para superar os R$ 99,4 bilhões do primeiro trimestre de 2026. Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) passaram de R$ 31,6 bilhões para R$ 34,8 bilhões, enquanto as notas comerciais recuaram de R$ 18 bilhões para R$ 9,7 bilhões.

No acumulado do ano, as debêntures apresentaram queda de 18%, totalizando R$ 261,2 bilhões, com retrações mais acentuadas nas categorias incentivadas e de infraestrutura (-30,1%) e corporativas (-21%). Já as debêntures de securitização cresceram 40,1%, totalizando R$ 45,6 bilhões. Maranhão relacionou a retração ao menor apetite por risco de crédito no mercado, também observado na maior participação dos coordenadores nas subscrições de debêntures, que subiu para 52,7% até setembro, contra 32,3% em 2025.

Os FIDCs tiveram alta expressiva de 42,8% em 2026, somando R$ 87,8 bilhões, o que, segundo a Anbima, contribui para ampliar o acesso ao mercado de capitais por empresas de menor porte.

Mercado secundário e títulos do agronegócio

No mercado secundário, as debêntures movimentaram R$ 689 bilhões até setembro, crescimento de 5,8%, puxado por debêntures incentivadas, com alta de 20,7%. Apesar dos desafios no mercado primário, essa resiliência do mercado secundário foi destacada por Cesar Mindof. Contudo, o terceiro trimestre foi menos ativo nessa frente, com volume negociado de R$ 194,3 bilhões, queda de 24,8% em relação ao trimestre anterior e 19,4% frente ao mesmo período de 2025.

No segmento de títulos ligados ao agronegócio, o volume caiu 8,2% no ano, totalizando R$ 33,1 bilhões. Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) tiveram retração significativa de 62,3%, enquanto as Cédulas de Produto Rural Financeiras (CPR-F) cresceram 202,7% e os Fiagros avançaram 274,7%. Essa mudança é explicada por alterações nas regras de emissão de CRIs e CRAs.

Renda variável registra crescimento expressivo

A renda variável alcançou R$ 31,8 bilhões em follow-ons e R$ 3 bilhões em ofertas públicas iniciais (IPOs) em 2026, superando o total acumulado em cada um dos três anos anteriores. Para Maranhão, esse reforço na estrutura de capital das companhias é fundamental diante dos maiores níveis de alavancagem enfrentados pelas empresas.

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