Justiça obriga Santa Casa de Itararé a ativar leitos de saúde mental; prefeitura enfrenta limitações financeiras
Decisão judicial pede funcionamento imediato de leitos psiquiátricos na Santa Casa de Itararé, enquanto prefeitura admite dificuldades para manutenção integral.
A Justiça concedeu liminar determinando que a Santa Casa de Itararé, interior de São Paulo, ative leitos destinados à saúde mental. A decisão, tomada na quinta-feira (15) e divulgada no dia 20 de outubro de 2026, foi resultado da ação do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que apontou a ausência de funcionamento dos leitos, apesar da existência de uma ala mobiliada para esse fim no hospital.
Antes da decisão, pacientes em crise psiquiátrica da cidade e da região eram obrigados a aguardar transferência para outros municípios, inclusive para Sorocaba, distante mais de 250 quilômetros de Itararé, diante da falta desses serviços locais.
Prazo para implantação dos leitos
Segundo o MPSP, o hospital possuía uma ala com previsão para dez leitos, que não estavam em operação mesmo após diálogos com a promotoria. A Justiça determinou que, em até 30 dias, três leitos devem entrar em funcionamento para atender emergências psiquiátricas em Itararé e no município vizinho de Bom Sucesso de Itararé.
Os outros sete leitos precisam ser regularizados em até 120 dias, devendo ser disponibilizados para regulação estadual por meio da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross). A instalação desses leitos destina-se a atender também os 15 municípios da região de Itapeva (SP).
Prefeitura relata desafios financeiros
Em resposta ao G1, a Prefeitura de Itararé afirmou manter diálogo com a Santa Casa para viabilizar a ativação dos leitos, com a previsão de os três primeiros serem colocados em funcionamento no prazo legal. Porém, a administração municipal destacou que enfrenta dificuldades financeiras para estruturar e manter totalmente os dez leitos conforme determinado.
A estimativa de custo mensal para custear os 10 leitos é de R$ 195 mil, enquanto o repasse federal destinado a essa finalidade é de aproximadamente R$ 67 mil. A prefeitura ressaltou que não possui recursos adicionais suficientes para arcar com essa despesa sem prejudicar outras áreas da saúde municipal.
Além disso, a prefeitura explicou que o custeio completo depende de etapas relacionadas ao Ministério da Saúde. Assim, embora a implantação da ala de saúde mental exija recursos para operação imediata, a demora na efetivação dos repasses federais gera dificuldades para funcionamento pleno do serviço.
A gestão municipal e a Santa Casa apontaram ainda que seguem avaliando alternativas para cumprir as determinações judiciais e garantir a assistência psiquiátrica local.