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São Paulo

Costureira de Sumaré aguarda há 10 anos decisão judicial para receber benefício do INSS

Doralice Maria da Silva enfrenta demora e negativas no INSS após graves problemas de saúde.

20/10/2026 às 14h30

A costureira industrial Doralice Maria da Silva, residente em Sumaré, São Paulo, aguarda há dez anos uma decisão judicial para garantir o benefício previdenciário junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ela teve pedidos negados pela autarquia e recorreu à Justiça, onde o processo permanece parado há cerca de quatro anos.

Doralice precisou afastar-se do trabalho em 2013, após o desenvolvimento de depressão grave e o diagnóstico de outras condições médicas severas, como transtorno bipolar, síndrome do pânico, fobia social e a retirada cirúrgica de um tumor na cabeça. Ela também convive com fibromialgia, problemas na coluna, dores intensas e dificuldades de memória, que inviabilizam seu retorno à atividade profissional.

A costureira relata que recebeu auxílio-doença por dois anos, mas teve o benefício interrompido pelo INSS. Mesmo apresentando exames de imagem e laudos médicos durante a perícia, o pedido foi negado sob a justificativa da ausência de comprovação da incapacidade para o trabalho e falta de documentação completa. Isso ocasionou dificuldades financeiras, levando Doralice a depender da ajuda de uma familiar para as despesas básicas.

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Após as negativas do INSS, sua advogada entrou com um recurso contestando os pareceres periciais, porém a decisão judicial aguarda deliberação há anos. Enquanto isso, a segurada permanece sem condições de trabalhar devido às limitações de saúde.

Em situação semelhante, Luiz Carlos Benassi, morador de Campinas, teve pedido inicial de aposentadoria negado e, após recurso aprovado unanimemente em junho de 2026 pela Junta de Recursos do INSS, ainda não teve o benefício implantado. Segundo ele, meses após a aprovação, o INSS voltou a questionar o direito à concessão, dificultando o acesso à renda, e ele depende da ajuda da filha.

Reclamações e fila de pedidos no INSS

Dados da Ouvidoria da Controladoria-Geral da União indicam que, entre 1º de janeiro e 18 de outubro de 2026, o estado de São Paulo contabilizou 10.175 reclamações contra o INSS, concentrando-se principalmente na demora na análise de benefícios. Apesar da redução da fila estadual de 482 mil para 204 mil pedidos nesse período, cerca de 20 mil aguardavam há mais de 45 dias.

Em Campinas, foram reduzidos os pedidos pendentes de 11,8 mil para 5.517, porém 557 permaneciam sem análise há mais de 45 dias até setembro de 2026. O gerente de projetos da Presidência do INSS, Renato Mousinho, atribui a melhora na espera a concursos públicos, mutirões e análise documental que, em alguns casos, dispensa perícia presencial para concessão dos benefícios.

O INSS afirmou que os casos de Doralice e Luiz Carlos foram encaminhados para apuração pelas áreas responsáveis, porém não apresentou respostas específicas à reportagem até a divulgação dos fatos.

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