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Quando avaliar a portabilidade da previdência privada devido à baixa rentabilidade

Rentabilidade insatisfatória não deve ser o único motivo para trocar o plano de previdência privada; outros fatores como custos e estratégia são fundamentais.

20/10/2026 às 13h55

Uma rentabilidade baixa da previdência privada pode levar investidores a considerarem a portabilidade para outro plano. No entanto, especialistas alertam que a decisão não deve se basear apenas no desempenho recente do fundo.

Tatiana Cardoso, diretora-executiva da MAG Gestão Previdenciária, destaca que a troca de plano deve ser avaliada quando o produto deixa de atender às necessidades do participante. Entre os sinais de alerta estão taxas elevadas, opções limitadas de fundos e investimentos inadequados ao perfil de risco ou ao prazo até a aposentadoria.

“Previdência é um investimento de longo prazo, em que pequenas diferenças em custos, estratégia ou tributação podem ter impacto significativo ao longo dos anos”, afirma Tatiana.

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Importância da análise dos custos e da estratégia

Carlos Eduardo Soares, head de fundos e Previdência da AW Capital, recomenda que o investidor verifique primeiro as taxas — administração, performance e, principalmente, a taxa de carregamento, que reduz diretamente o montante investido.

Na comparação entre planos, Tatiana orienta a análise da estratégia do fundo, composição da carteira e perfil de risco, além de observar a rentabilidade em prazos mais extensos e usar referências adequadas à estratégia, evitando decisões baseadas em curto prazo.

Ela alerta que um resultado ruim recente não significa necessariamente que o produto seja inadequado.

Perfil do investidor e prazo até a aposentadoria

A avaliação deve levar em conta o perfil do participante e quanto tempo falta para a aposentadoria. Trocar o fundo apenas pela performance recente pode levar ao abandono de uma estratégia alinhada ao planejamento financeiro.

Na escolha do novo plano, é fundamental que o investimento seja compatível com os custos, riscos, tributação e prazo individual, evitando a busca por planos com desempenho passado superior que não se ajustem ao perfil.

Como funciona a portabilidade

Conforme explicações da Superintendência de Seguros Privados (Susep), a portabilidade permite a transferência direta dos recursos entre planos, sem que o dinheiro seja sacado pelo investidor.

Essa operação é diferente do resgate e reaplicação do saldo. É importante verificar carências e condições previstas no regulamento do plano. Também existem restrições, como a impossibilidade de transferir recursos entre planos PGBL e VGBL, devido a suas naturezas diferentes.

Além disso, o tempo de permanência dos aportes é preservado na portabilidade, o que é relevante para o regime regressivo do Imposto de Renda, em que o prazo de acumulação influencia a alíquota aplicada.

Antes de solicitar a portabilidade, é recomendável comparar custos, estratégia, riscos, flexibilidade, tributação e o prazo até a aposentadoria, garantindo que a decisão seja fundamentada e não pautada apenas pela rentabilidade recente do fundo.

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