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Justiça do Rio encerra recuperação judicial da Americanas após quase quatro anos de crise

Americanas conclui plano de recuperação judicial iniciado após revelação de rombo bilionário em 2023, marcando novo capítulo para a varejista.

20/10/2026 às 14h37

A Justiça do Rio de Janeiro decretou em 19 de outubro de 2026 o encerramento da recuperação judicial da Americanas (AMER3), encerrando um ciclo iniciado em janeiro de 2023 após a revelação de inconsistências contábeis de cerca de R$ 20 bilhões. A decisão se deu após a companhia comprovar o cumprimento das obrigações do plano homologado, conforme previsto pela legislação.

A crise teve início em 11 de janeiro de 2023, quando a Americanas identificou inconsistências relacionadas à conta de fornecedores, que impactavam significativamente suas demonstrações financeiras. Naquele momento, o então presidente Sergio Rial e o diretor financeiro André Covre deixaram seus cargos. A magnitude do problema foi ampliada dias depois, levando a uma queda de quase 80% no valor das ações da empresa na bolsa e rebaixamento do seu rating pela agência Fitch.

O pedido de recuperação judicial foi protocolado em 19 de janeiro de 2023, registrando um passivo de aproximadamente R$ 43 bilhões e envolvendo mais de 16 mil credores. Desde então, a Americanas passou por uma ampla reestruturação, incluindo revisão de balanços que transformou lucros anteriores em prejuízos bilionários, capitalizações de R$ 24 bilhões com participação de acionistas de referência como Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, e renegociação das dívidas com credores.

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Além da resposta financeira, o caso motivou investigações no Congresso Nacional através da CPI da Americanas, instalada em maio de 2023, que sugeriu aprimoramentos legislativos, e um inquérito da Polícia Federal deflagrado em junho de 2024 na Operação Disclosure, visando apurar fraudes contábeis estimadas em R$ 25,3 bilhões. Executivos antigos da empresa foram alvos de medidas judiciais durante as investigações.

O comitê independente da companhia confirmou a existência de fraudes contábeis estruturadas, que incluíam lançamentos indevidos e contratos fictícios, principalmente relacionados a verba de propaganda cooperada (VPC). Com a reestruturação avançando, a Americanas também iniciou a venda de ativos não essenciais, incluindo a alienação da Uni.Co, detentora das marcas Imaginarium e Puket.

O pedido formal para encerrar a recuperação judicial foi realizado em março de 2026, após cumprimento dos termos do plano aprovado pelos credores em dezembro de 2023 e homologado judicialmente em fevereiro de 2024. Apesar do fim da recuperação, as investigações sobre a fraude e demais desdobramentos legais seguem em andamento, enquanto a Americanas busca focar na reconstrução de suas operações e retomada da rentabilidade.

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