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Empresas

Doença de Newcastle gera pressão nas ações da MBRF e JBS, mas impacto deve ser limitado, dizem analistas

Foco da doença em Santa Catarina provoca restrições comerciais, mas especialistas veem chances de recuperação rápida no setor avícola brasileiro.

20/10/2026 às 13h00

Um registro recente da Doença de Newcastle em uma granja comercial de Santa Catarina tem provocado quedas nas ações das empresas do setor avícola brasileiro na Bolsa, especialmente da MBRF (MBRF3) e da JBS (BDR: JBSS32). Segundo analistas entrevistados, o foco da doença pode impactar os negócios a curto prazo, mas dificilmente causará danos duradouros ao setor caso as autoridades controlem rapidamente a situação.

O Brasil é o maior exportador global de carne de frango, e o anúncio do caso levou o México a suspender imediatamente as importações brasileiras. Paralelamente, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) anunciou um autoembargo para remessas destinadas à China, principal consumidor das aves brasileiras, até que as autoridades chinesas determinem o escopo das restrições, que podem atingir o país inteiro ou apenas a área afetada.

Na sequência da confirmação da doença, as ações da MBRF recuaram mais de 4%, enquanto as da JBS caíram cerca de 1%. Entretanto, especialistas lembram que em episódios anteriores, como o foco da Doença de Newcastle no Rio Grande do Sul em 2024 e a gripe aviária em 2025, as exportações brasileiras também sofreram quedas iniciais, mas recuperaram-se rapidamente no decorrer do ano, evitando prejuízos expressivos para MBRF e JBS.

Leia também: Santa Catarina será única a suspender exportação de frango para China após foco de doença de Newcastle

Segundo analistas do JPMorgan, em 2024 as exportações caíram cerca de 25% em um mês com restrições, mas retomaram rapidamente os volumes e os lucros das empresas não foram significativamente afetados. Eles acrescentam que a China foi o principal fator de interrupção naquele período, mantendo embargo ao Estado afetado até janeiro de 2026. Outros mercados importantes como México, União Europeia, Arábia Saudita e Japão adotaram respostas locais ou flexibilizaram as restrições rapidamente.

Especialistas do Santander destacaram que a China, que representa cerca de 10% das exportações brasileiras de frango atualmente, é a grande incógnita para o momento. A análise indica que a MBRF tem exposição maior ao risco comercial devido à sua concentração, enquanto a JBS possui uma base geográfica mais diversificada. O Santander estima que cerca de 15% da produção de frango do Brasil poderia ser afetada pelas medidas comerciais vigentes.

Restrições prolongadas podem obrigar os exportadores a desviarem mercadorias para mercados alternativos ou para o mercado interno, o que poderia pressionar preços e margens, segundo o Santander. A incerteza sobre a duração da suspensão chinesa é apontada como o principal risco atualmente.

De acordo com analistas do Bradesco BBI, o problema é essencialmente comercial e de curto prazo, não sanitário. Um prolongamento das medidas restritivas poderia elevar a oferta no mercado doméstico e baixar os preços e margens no final de 2026 e início de 2027. A MBRF teria maior exposição devido ao peso da BRF em seu Ebitda, estimado em 78% para 2026, em contraste com cerca de 27% do Ebitda da Seara dentro da JBS.

Apesar disso, o BBI observa que os fundamentos dos mercados de carne bovina e frango nos Estados Unidos, onde a JBS também atua fortemente, podem compensar parcialmente os impactos adversos. Por isso, mantém preferência pela JBS como principal recomendação entre as empresas de proteínas.

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