Preço do diesel no Brasil sofre alta de 6,67% e alcança R$ 7,20 por litro, indica pesquisa
Conflitos no Oriente Médio e valorização do petróleo internacional impulsionam aumento do diesel no país.
O preço do diesel comum registrou um aumento de 6,67% na primeira quinzena de outubro de 2026 em comparação com a segunda metade de setembro, alcançando uma média de R$ 7,20 por litro em território nacional. Essa elevação é atribuída ao aumento da cotação do petróleo no mercado internacional, desencadeado pelo agravamento dos conflitos na região do Oriente Médio.
Esses dados foram divulgados nesta terça-feira (20) pelo Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que acompanha os valores praticados nos postos de combustível de todo o Brasil.
Desde janeiro, quando o preço médio do diesel comum era de R$ 6,25 o litro, o combustível acumula um aumento de 15,2%. Apesar dessa alta contínua, o valor médio atual ainda permanece abaixo do pico de abril deste ano, quando foi registrada a média mensal de R$ 7,51 por litro.
No que se refere ao diesel S-10, utilizado majoritariamente por veículos mais modernos, também ocorreu elevação de 5,07%, passando a custar em média R$ 7,46 por litro.
Preços de outros combustíveis e influência das importações
Entre os combustíveis alternativos, o etanol teve aumento de 2,38%, atingindo média de R$ 4,31 por litro. A gasolina apresentou um aumento modesto de 0,15%, sendo comercializada a R$ 6,73 o litro.
O cenário atual está diretamente atrelado à dependência do Brasil em relação ao diesel importado. Embora o país seja produtor de petróleo, suas refinarias não são capazes de produzir o volume suficiente de diesel para satisfazer a demanda interna, o que faz com que cerca de 23,14% do diesel A comercializado em agosto tenha sido importado, segundo informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Assim, oscilações nos preços internacionais do combustível e custos logísticos influenciam diretamente os preços finais nos postos brasileiros. Os recentes conflitos na região do Oriente Médio têm causado apreensão quanto à oferta global de petróleo, refletido no preço do barril do tipo Brent que, em 20 de outubro, ultrapassou os US$ 111, atingindo seu maior patamar em cinco meses.
Medidas do governo e variação regional dos preços
Para mitigar o impacto desses elevados valores para os consumidores, o governo federal ampliou recentemente o subsídio ao diesel importado, de R$ 2,12 para R$ 3,52 por litro, válido por 30 dias. Essa política pública foi inicialmente implementada em maio de 2026 e tem a finalidade de reduzir parte dos custos do combustível e evitar a transferência integral das altas para o consumidor final. O Ministério da Fazenda justificou a continuidade da subvenção pela persistente volatilidade dos preços internacionais do petróleo.
Regionalmente, a região Sul do país apresentou as maiores elevações no preço do diesel na primeira metade de outubro, com alta de 11,70% para o diesel comum, que passou para R$ 6,97 o litro, e 7,50% para o diesel S-10, com preço médio de R$ 7,17.
Entretanto, tanto o Sul quanto o Sudeste continuam apresentando os preços médios mais baixos do diesel comum, em torno de R$ 6,97 por litro.
Na região Centro-Oeste, os preços do diesel comum subiram 6,97%, para R$ 7,21 o litro, enquanto o diesel S-10 alcançou média de R$ 7,62, o maior valor regional para essa categoria.
A região Norte destacou-se por apresentar os combustíveis mais caros do país. Por estado, Roraima registrou o diesel comum mais caro, ao preço médio de R$ 8,19 por litro, e Minas Gerais apresentou o menor preço médio, de R$ 6,91.
Entre os estados, Paraná teve a maior alta do diesel comum, 12,66%, chegando a R$ 6,94 por litro, enquanto Acre registrou a maior queda, de 1,60%, embora o preço médio permaneça alto, em torno de R$ 8 o litro.
No caso do diesel S-10, o maior preço médio foi observado no Acre, R$ 8,30 por litro, enquanto o menor valor foi encontrado no Rio Grande do Sul (R$ 6,95).
Quanto aos demais combustíveis, o etanol apresentou o maior preço médio em Sergipe (R$ 5,54) e o menor em São Paulo (R$ 4,03). A gasolina variou de R$ 7,64 o litro em Roraima a R$ 6,28 no Rio Grande do Sul.
No que tange às variações, Mato Grosso liderou as altas do etanol com 3,96%, enquanto Pernambuco registrou o aumento mais expressivo da gasolina, 2,46%. O Rio Grande do Norte destacou-se pelas maiores quedas entre ambos os combustíveis, com diminuição de 5,07% no etanol e 3,02% na gasolina.