Vale (VALE3) registra sobrevenda e enfrenta tendência de baixa, mas pode ter repique técnico
A ação da Vale (VALE3) permanece em canal de baixa e abaixo das médias móveis, com indicador técnico sinalizando sobrevenda, abrindo espaço para possível repique.
As ações da Vale (VALE3) encontram-se em uma importante região técnica após enfrentarem correção desde o pico histórico de R$ 89,41. No dia 19 de outubro, a ação apresentou leve alta de 0,23%, encerrando a R$ 66,36, embora permaneça com queda acumulada de 5,50% no ano de 2026. Em doze meses, entretanto, ainda acumula valorização de 18,6%.
Pressão técnica no curto prazo
O gráfico diário evidencia a manutenção da ação em um canal de baixa, com o preço operando abaixo das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos — próximas a R$ 67,53, R$ 69,70 e R$ 77,49, respectivamente. O Índice de Força Relativa (IFR) de 14 períodos apresenta leitura de 29,52, indicando sobrevenda.
Essa condição técnica sugere que, apesar da predominância da venda, o ativo pode apresentar repiques pontuais. Contudo, esses movimentos de alta não configuram necessariamente uma reversão do movimento baixista. Para sinalizar recuperação no curto prazo, VALE3 precisaria superar as resistências nas regiões de R$ 67,53 e R$ 69,70.
Na hipótese de continuidade da baixa, o rompimento da mínima recente em R$ 65,72 pode levar a pressão vendedora para níveis em torno de R$ 64,11, com suportes subsequentes em R$ 59,67, R$ 56,80, R$ 52,61 e a faixa psicológica de R$ 50,00.
Indicadores no médio prazo mantêm viés baixista
O gráfico semanal reforça a tendência negativa, mostrando que o ativo segue em um canal descendente após a valorização do período entre 2025 e início de 2026. As médias móveis de 9 e 21 períodos, respectivamente em R$ 70,56 e R$ 73,77, atuam como resistências, e o IFR semanal em 37,03 pontos aproxima-se da zona de sobrevenda.
Para uma recuperação consistente no médio prazo, VALE3 deve ultrapassar essas médias, abrindo espaço para buscar níveis em R$ 82,25 e, eventualmente, a máxima histórica de R$ 89,41. A quebra dessas resistências acompanhada por volume indicaria mudança significativa na estrutura do gráfico.
Por ora, a perspectiva técnica permanece favorável aos vendedores, sustentada por um ambiente desafiador para o minério de ferro, que, apesar de uma reação recente na China devido a dados econômicos positivos, ainda enfrenta dúvidas quanto à demanda.
Perspectivas fundamentalistas e próximas divulgações
A publicação do resultado financeiro do terceiro trimestre da Vale está prevista para 29 de outubro. Estimativas do Itaú BBA apontam para uma queda de 14% no Ebitda proforma, projetado em US$ 3,502 bilhões, devido à pressão no segmento de ferrosos, com preços do minério reduzidos para cerca de US$ 88 por tonelada e custos elevados de frete.
Esses fatores reforçam a pressão vendedora no curto prazo e indicam que qualquer recuperação técnica deve ser interpretada com cautela, sem expectativa de reversão estrutural iminente.
Rodrigo Paz é economista e analista técnico CNPI-T, atuando no mercado financeiro há mais de 14 anos e colaborando com análises para portais especializados.