Prefeitura de São Paulo atribui vazamento de dados do Smart Sampa a servidor e reforça segurança
Gestão Ricardo Nunes nega falha no sistema e afastou agente que expôs informações de câmeras por quase um ano.
A Prefeitura de São Paulo confirmou o vazamento de dados do Smart Sampa, sistema de monitoramento por câmeras com reconhecimento facial, e afirmou que o incidente foi causado por um agente de segurança com acesso autorizado, que foi afastado do cargo. A gestão Ricardo Nunes negou que tenha ocorrido alguma falha de segurança na plataforma.
De acordo com a prefeitura, as informações sigilosas foram expostas na internet por cerca de 11 meses, incluindo imagens captadas por mais de 58 mil câmeras instaladas em locais públicos como ruas, escolas, creches e hospitais. Após a denúncia, o repositório com os dados vazados foi retirado do ar.
Para prevenir novos incidentes, a prefeitura reforçou os mecanismos de proteção do Smart Sampa, implementando senhas exclusivas, autenticação em dois fatores e códigos via SMS para a criação de novas senhas.
A gestão informou que não houve uso indevido da plataforma e ressaltou que o programa conta com a fiscalização do Tribunal de Contas do Município, consultoria especializada em governança e privacidade, bem como auditorias periódicas previstas em contrato, testes de segurança e envio de relatórios ao Ministério Público.
Investimento e funcionamento do Smart Sampa
O Smart Sampa foi lançado em 2024 como um recurso para segurança pública da capital paulista, operando com uma central de monitoramento 24 horas que integra câmeras públicas e privadas. O investimento mensal gira em torno de R$ 10 milhões.
O sistema utiliza inteligência artificial para comparar imagens com bases de pessoas procuradas pela Justiça e desaparecidos, além de identificar veículos roubados ou clonados. Em 2026, foi lançado um aplicativo que permite a colaboração dos cidadãos na identificação de veículos suspeitos.
Questionamentos sobre a eficácia do sistema
Apesar dos dados divulgados pela prefeitura sobre prisões e localizações decorrentes do uso do Smart Sampa, pesquisas acadêmicas apontaram que o sistema não apresentou redução significativa em crimes como furtos, roubos e homicídios. Um estudo do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania comparou indicadores em São Paulo e outras cidades sem o programa e não constatou aumentos expressivos na produtividade policial.
Além disso, foram identificados erros de reconhecimento facial, especialmente em pessoas negras, e problemas com bancos de dados desatualizados, levantando questões sobre vieses raciais da tecnologia. A prefeitura contestou a metodologia do estudo, alegando que as comparações não consideraram as diferenças socioeconômicas e criminais entre os municípios.
Influência nacional
O modelo do Smart Sampa inspirou propostas de extensão nacional, como o plano do candidato Flávio Bolsonaro, que pretende criar o “Smart Brasil”, sistema de monitoramento por câmeras e reconhecimento facial integrado, com previsão de mais de um milhão de câmeras distribuídas no país.