Pular para o conteúdo
Política

Ministério Público do Trabalho registra média de 35 denúncias diárias de assédio eleitoral no trabalho em outubro

Em outubro, foram contabilizadas 663 denúncias de assédio eleitoral no ambiente laboral, aponta levantamento do MPT.

20/10/2026 às 08h45

O Ministério Público do Trabalho (MPT) registrou uma média de 35 denúncias diárias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho durante o mês de outubro de 2026. Até o dia 19 deste mês, foram contabilizados 663 relatos desta prática, que consiste em tentativas do empregador de influenciar ou coagir o voto do empregado.

Esse tipo de assédio eleitoral pode se manifestar por meio de ameaças de perda de emprego, rebaixamento de cargo ou salário caso o trabalhador vote em determinados candidatos, distribuição de material eleitoral ou realização de eventos políticos dentro do local de trabalho.

Crescimento expressivo nas denúncias

Em setembro de 2026, o MPT também observou um aumento significativo de 713% nas denúncias de assédio eleitoral em comparação com o mesmo período do pleito anterior, em 2022. Enquanto em setembro daquele ano foram registradas 68 denúncias, no mesmo mês deste ano foram 553 casos reportados.

Leia também: Denúncias de assédio eleitoral no Distrito Federal já superam total de 2022 a uma semana do 2º turno

Segundo informações da Pasta, os principais afetados são trabalhadores da iniciativa privada, especialmente aqueles com renda mais baixa que estão em situação mais vulnerável diante da influência econômica do empregador. Servidores públicos em cargos comissionados também estão sujeitos a pressões por parte de gestores.

Medidas para facilitar o registro e análise das denúncias

O MPT intensificou suas ações para o enfrentamento do assédio eleitoral, ampliando o atendimento por meio de plantões eleitorais durante os finais de semana. Além disso, firmou acordos de cooperação técnica com órgãos como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Ministério Público Eleitoral para agilizar o intercâmbio de informações.

Outra inovação deste ano foi o emprego de inteligência artificial para classificar e organizar automaticamente as denúncias. Essa tecnologia permite identificar denúncias relacionadas a uma mesma empresa e categorizar os tipos de irregularidades, facilitando o mapeamento e análise das ocorrências.

Consequências para as empresas e impacto democrático

As denúncias podem ser realizadas de forma anônima pelo site do MPT. Após a investigação, são firmados termos de ajustamento de conduta com as empresas envolvidas. Em 2026, já foram estabelecidos 36 desses termos. Caso as empresas resistam, o MPT ajuíza ações civis públicas — foram 25 ações até o momento, com 24 liminares concedidas. O descumprimento das liminares acarreta multas e indenizações por danos morais coletivos.

Gláucio Araújo Oliveira, procurador-geral do trabalho, destaca que o assédio eleitoral no trabalho constitui uma ameaça à democracia. Ele alerta que a interferência na vontade popular no momento do voto pode comprometer o processo eleitoral e a legitimidade das eleições.

📰 Veja também