Vereador Bigodini terá exame de insanidade mental avaliado em processo criminal na Câmara de Ribeirão Preto
Exame suspendeu ação penal contra Bigodini, que é réu por embriaguez ao volante; perda do mandato depende de perícia oficial e decisão judicial.
O vereador Roger Ronan da Silva, conhecido como Bigodini (MDB), terá a capacidade mental avaliada em exame oficial autorizado pela Justiça, o que suspendeu temporariamente a ação penal contra ele por embriaguez ao volante, falsidade ideológica, fraude processual e direção perigosa. O caso decorre de um acidente de trânsito ocorrido em setembro de 2025 em Ribeirão Preto (SP).
A 1ª Vara Criminal da cidade autorizou o exame psiquiátrico oficial e suspendeu a audiência de instrução e julgamento até a conclusão da perícia. A defesa de Bigodini pediu o exame alegando suspeita de insanidade mental.
O parlamentar está em seu primeiro mandato e, após o acidente, a Câmara Municipal aprovou em novembro de 2025 a suspensão de seu mandato por 180 dias. Ele retornou às atividades em maio de 2026, respondendo ao processo criminal em liberdade.
Possíveis desdobramentos políticos e jurídicos
Especialistas consultados afirmam que o pedido e até mesmo laudos psiquiátricos particulares não afastam automaticamente o vereador do cargo. Somente o laudo oficial pode gerar um pedido formal da Câmara para afastamento ou perda do mandato na Justiça, caso comprove incapacidade mental.
Se o exame indicar que Bigodini não tinha condições de compreender o caráter ilícito do fato no momento do acidente, ele poderá ser absolvido ou ter a pena suspensa e ser submetido a medidas de segurança, como tratamento médico compulsório.
Por outro lado, se o laudo descartar a insanidade, o processo criminal seguirá seu curso normal, podendo resultar em condenação. Neste caso, é possível que a Câmara inicie novo processo por quebra de decoro parlamentar, o que também pode implicar na perda do mandato.
Jurisprudência indica que as esferas criminal, administrativa e cível funcionam independentemente. Assim, a atuação da Câmara dependerá do resultado da perícia oficial e da decisão judicial.
Contexto do acidente
Em 28 de setembro de 2025, Bigodini colidiu um veículo SUV alugado contra uma árvore na Avenida do Café, Ribeirão Preto. Inicialmente, a ex-namorada do vereador declarou estar dirigindo, mas investigações comprovaram que o parlamentar estava ao volante sob efeito de álcool, conduzindo o carro a até 183 km/h.
O Ministério Público denunciou Bigodini por embriaguez ao volante, falsidade ideológica, fraude processual e direção perigosa com base em provas como imagens de câmeras de segurança e dados do rastreador do veículo.