Lojas do ‘Desafio do iPhone’ em Piracicaba enfrentam investigação por evento irregular e risco à saúde
Prova de resistência de 52 horas com prêmio de iPhone 17 em Piracicaba não teve autorização federal e é investigada pela polícia e Ministério da Fazenda.
O desafio de resistência conhecido como “Desafio do iPhone”, realizado nas ruas de Piracicaba (SP) por cerca de 30 participantes, está sob investigação da Polícia Civil e do Ministério da Fazenda devido à ausência de autorização para a promoção e pelo risco oferecido à saúde dos competidores.
Organizado pelas lojas IPlanet e Speedmob, o evento consistia em uma competição em que os participantes deveriam manter as mãos apoiadas na lataria de uma caminhonete por até 52 horas, sendo que o último a manter a posição, sem dormir, venceria o prêmio de um iPhone 17. A maratona teve início na manhã de sábado (10) e só terminou na segunda-feira (12).
De acordo com a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, o evento demandaria autorização prévia para ser realizado, o que não foi obtido pelas empresas responsáveis. Além disso, a promoção não contou com diretrizes rígidas previstas por lei, como o estabelecimento de limite máximo de duração e a presença fixa de equipe médica ou do Corpo de Bombeiros para garantir a segurança dos participantes.
Em nota, o Ministério da Fazenda destacou que é obrigatório possuir autorização para qualquer promoção que distribua prêmios, incluindo sorteios, vale-brindes ou concursos. Também informou que é possível consultar as promoções autorizadas no site oficial antes de participar.
Já a Prefeitura de Piracicaba indicou que as lojas contavam com alvará de funcionamento, mas não solicitaram licenciamento para o evento em questão. Foi apresentada apenas uma autodeclaração para evento de baixo risco válida no sábado (10) das 10h às 22h, contrariando a extensão da prova até a segunda-feira.
Durante a prova, os competidores tinham acesso limitado a serviços básicos: o uso do banheiro foi autorizado uma única vez com tempo restrito de três minutos, mediante votação dos participantes, e o acesso a água e alimentos ficava a critério do organizador.
Um dos participantes, o vendedor Nilson Sousa, de 25 anos, precisou ser socorrido por uma ambulância do Samu logo após deixar a competição devido a exaustão e foi levado a uma unidade de saúde para hidratação e cuidados médicos.
A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar o crime de “perigo para a vida ou saúde de outrem”, apontando o risco evidente à integridade dos envolvidos e considerando a participação de um adolescente de 17 anos no desafio.
O proprietário das lojas e organizador, Lucas Barbosa, afirmou que houve autorização para instalação temporária vinculada ao processo municipal nº 171.114/2026 e que está à disposição para esclarecimentos às autoridades.
Enquanto isso, a Secretaria de Prêmios e Apostas alerta que, se confirmada a irregularidade, as lojas poderão sofrer penalidades administrativas que vão desde multas até a proibição de realizar futuras dinâmicas e promoções semelhantes.