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Bancos devem enfrentar resultados mais fracos no terceiro trimestre com alta da inadimplência, indicam analistas

Lucros das instituições financeiras ficam pressionados por custos de crédito elevados e inadimplência crescente, aponta relatório.

19/10/2026 às 23h26

O desempenho financeiro dos principais bancos brasileiros deve piorar ainda mais no terceiro trimestre deste ano, com reflexos negativos previstos para 2027, de acordo com análises de especialistas do setor.

Os maiores bancos do país devem continuar a registrar lucros pressionados pelo aumento dos custos de crédito, motivado pela elevação da inadimplência e pela redução da capacidade de pagamento das famílias. Dados recentes do Banco Central, de agosto de 2026, indicam que 5,04% do crédito concedido pelo sistema financeiro estão com pagamentos atrasados há mais de 90 dias, atingindo níveis recordes desde o início da série histórica, em 2011.

Na análise detalhada, o índice de inadimplência entre pessoas físicas alcançou 6,03%, enquanto em pessoas jurídicas subiu para 3,35%, o maior patamar desde 2017.

Leia também: Empresas brasileiras enfrentam desafios financeiros no 3º trimestre de 2026, aponta análise da Folha

Relatório dos analistas do BTG Pactual aponta que o cenário macroeconômico permanece desafiador, marcado por juros elevados e perspectivas negativas para o ciclo de crédito em 2027. Eles indicam que bancos privados provavelmente reduziram o ritmo de concessão de empréstimos no terceiro trimestre, o que impacta diretamente suas receitas.

Além disso, as provisões para devedores duvidosos (PDD), que representam valores que os bancos não esperam recuperar, têm sido aumentadas para minimizar riscos futuros. Em contrapartida, as instituições têm controlado gastos operacionais para tentar mitigar os efeitos sobre seu resultado financeiro.

Entre os bancos, o Itaú Unibanco é apontado como o mais resiliente diante deste cenário, com uma carteira de crédito composta por clientes com menor risco de inadimplência. Apesar de seu crescimento de receita mais lento, esse comportamento é visto como uma estratégia prudente para preservar a saúde financeira no ambiente complexo atual.

Os analistas projetam um lucro de cerca de R$ 12,7 bilhões para o Itaú no terceiro trimestre de 2026, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) estimado em 23,9%. Já o Santander Brasil deve reportar lucro de R$ 3,2 bilhões e ROE de 12,7%, refletindo sua postura seletiva em concessão de crédito.

O Goldman Sachs destaca que esse declínio na rentabilidade é em parte decorrente da adoção da regulação 4966 do Banco Central, que exige que os bancos calculem as provisões considerando perdas esperadas e não apenas as efetivamente incorridas, além da deterioração do cenário de crédito.

Setores como o agronegócio continuam sendo uma fonte de preocupação, principalmente devido à inadimplência persistente e ao impacto limitado até o momento das medidas governamentais recentes para renegociação de dívidas.

O Banco do Brasil, que possui grande exposição ao setor rural, deve enfrentar lucro 40% inferior ao trimestre anterior, conforme estimativas do Citi, com provisões elevadas que refletem fragilidades no pagamento em dia, inclusive em cartões de crédito. A expectativa para o ROE do Banco do Brasil é de 5%, com projeção de lucro líquido de R$ 3,8 bilhões para o trimestre.

Por outro lado, o BTG Pactual é visto como destaque positivo, com previsão de aumento no crédito e maior receita advinda da gestão de ativos, gerando lucro estimado em R$ 5,2 bilhões e ROE de 26,4%.

Os bancos Nubank e Bradesco enfrentam desafios relacionados à baixa renda e às pequenas e médias empresas, segmentos mais vulneráveis à inadimplência. No entanto, estratégias específicas, como priorização de linhas com garantia e curto prazo médio da carteira, devem contribuir para estabilidade relativa.

Segundo a plataforma Bloomberg, o lucro estimado para o Nubank no terceiro trimestre é de US$ 1,1 bilhão (aproximadamente R$ 5,55 bilhões), com ROE de 32,7%. O Bradesco projeta lucro de R$ 7,1 bilhões, com ROE de 16%.

Em razão do ambiente econômico incerto, especialmente para famílias e empresas de menor porte, os bancos devem adotar tom cauteloso nas divulgações futuras, como indicam analistas do Itaú BBA.

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