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Ceará

Obra de muro na Lagoa do Cauípe é embargada após denúncias de moradores sobre restrição de acesso

Semace embarga construção do grupo Vila Galé na Lagoa do Cauípe que ameaçava acesso e causava preocupação entre trabalhadores e moradores.

19/10/2026 às 13h59

A Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) embargou no dia 1º de outubro a construção de um muro realizado pelo grupo Vila Galé na Lagoa do Cauípe, localizada no município de Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). A ação ocorreu após denúncias de moradores que apontaram que o muro ameaçava o livre acesso de pedestres, turistas e trabalhadores à lagoa, um importante ponto turístico e Área de Proteção Ambiental (APA).

Durante a fiscalização, a Semace constatou que a obra já havia iniciado, com a base do alicerce construída, e que a intervenção ocorria em Área de Preservação Permanente (APP) dentro da APA do Lagamar do Cauípe. Em razão disso, foi lavrado um Auto de Infração com multa de R$ 40 mil e determinado o embargo imediato da obra.

Preocupação da comunidade e protestos contra o muro

Moradores e trabalhadores da região, aproximadamente 180 famílias vinculadas a atividades como buggy e kitesurf, expressaram apreensão quanto à possibilidade de privatização do acesso à lagoa, temendo prejuízos ao seu sustento e à circulação livre na área. Em 5 de outubro, a comunidade organizou um protesto com cordão humano e faixas pedindo a preservação e acesso público ao local, além de manifestação pública contra a cobrança de entrada reportada em denúncias anônimas.

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Entre os manifestantes, Neidinha Sousa, bugueira e liderança local, afirmou que o movimento busca impedir a alteração no uso tradicional do espaço, defendendo a união popular como forma de resistência.

Posicionamento do grupo Vila Galé e órgãos ambientais

O grupo Vila Galé, responsável pela obra do muro, comunicou que a construção estava sendo executada conforme projeto legalmente aprovado pelas entidades municipais e ambientais. Em nota, informaram que irão reajustar o projeto para alterar a localização do muro, considerando o alargamento natural do braço do rio confinado pela propriedade, garantindo afastamento maior do que o mínimo legal de 15 metros, para 30 metros por razões de segurança.

Segundo a empresa, o muro não impedirá o acesso de pedestres, banhistas e trabalhadores, pois este será garantido por um caminho alternativo.

O Instituto do Meio Ambiente de Caucaia (Imac) esclareceu que o grupo possui licença apenas para a construção do hotel-clube na área, não para a obra do muro. O órgão afirmou acompanhar o caso, reforçando o compromisso com a proteção ambiental e o cumprimento das normas legais.

Contexto ambiental e turístico

A Lagoa do Cauípe é um importante destino natural para esportes aquáticos, especialmente o kitesurf, e atrai visitantes para passeios de buggy, cavalo e lazer nas barracas à beira da lagoa. A região é marcada por dunas móveis e fixas, vegetação nativa como cajueiros e pinhão-bravo, além de fauna local.

A preservação do acesso e do ambiente natural são essenciais tanto para a comunidade local quanto para o turismo sustentável da região.

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