Família denuncia tortura a jovem por policiais militares no interior do Ceará
Denúncia aponta que policiais usaram faca, martelo e saco plástico para agredir jovem em Capistrano; investigações foram iniciadas.
Uma denúncia feita por familiares de um jovem de 18 anos acusa policiais militares de tortura em Capistrano, cidade do interior do Ceará. A denúncia, divulgada em 19 de outubro de 2026, relata que os agentes utilizaram uma faca, um martelo e um saco plástico para agredir a vítima durante uma abordagem ocorrida no sábado, dia 17, na zona rural do município.
A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) do Ceará afirmou que está conduzindo investigação administrativa sobre o caso. Paralelamente, a Polícia Militar do Ceará comunicou que instaurará procedimento preliminar para apurar os fatos relatados, ressaltando o compromisso da corporação com a legalidade e com o combate a condutas ilícitas por seus integrantes.
Segundo relatos da família, os policiais invadiram a residência no distrito de Sítio Curimatã sem apresentar mandado judicial, enquanto a família comemorava um aniversário. A abordagem violenta incluiu golpes no joelho com um martelo, ataques com cabo de vassoura, uma facada na mão do jovem e sufocamento com saco plástico na cabeça. A família registrou boletins de ocorrência na Polícia Civil e na CGD, além de documentar as lesões por vídeo.
As autoridades foram acionadas para investigar a conduta dos policiais, que buscavam informações sobre um homem apontado como integrante de organização criminosa. A família negou que o jovem tivesse qualquer relação com o suspeito.
A denúncia também destaca que não foi o primeiro episódio envolvendo violência policial contra o jovem. Em junho do mesmo ano, policiais militares teriam invadido a residência e causado danos a um celular do rapaz durante abordagem para apuração de suspeitos de crimes e materiais ilícitos. Na ocasião, a família não denunciou por temer represálias, incluindo ameaças de morte e ofensas contra a integridade da vítima.
No dia 15 de outubro, policiais militares teriam realizado nova invasão a outra residência da família, em busca de um suspeito com quem, segundo relato, a irmã do jovem manteve um breve relacionamento, já encerrado.
A advogada da família declarou que todas as medidas legais estão sendo adotadas para garantir rigorosa e imparcial apuração, responsabilização criminal, civil e administrativa dos envolvidos, além da preservação da integridade física e psicológica da vítima. Destacou que a vítima teme por sua segurança diante da gravidade dos fatos e do risco de represálias.
“Nenhuma prerrogativa funcional autoriza a prática de tortura, violência arbitrária ou abuso de autoridade. O exercício do poder estatal encontra limites intransponíveis na Constituição Federal e nos direitos fundamentais do cidadão”, ressaltou a defesa.