Defesa do vereador Bigodini solicita exame de insanidade mental antes de audiência em Ribeirão Preto
Pedido da defesa pode adiar audiência marcada para esta segunda-feira, 19, em processo que envolve embriaguez ao volante e falsidade ideológica.
A defesa do vereador Roger Ronan da Silva, conhecido como Bigodini, solicitou à Justiça de Ribeirão Preto um exame de insanidade mental antes da audiência de julgamento prevista para esta segunda-feira (19). Caso o pedido seja aceito, o processo ficará suspenso até a emissão do laudo oficial, o que pode acarretar o adiamento da audiência.
Bigodini, de 34 anos e filiado ao MDB, responde às acusações de embriaguez ao volante, falsidade ideológica, fraude processual e contravenção de direção perigosa. O caso tem origem em um acidente ocorrido em setembro de 2025, quando um carro alugado, dirigido por ele sob influência de álcool, colidiu contra uma árvore na Avenida do Café. A denúncia aponta que, para simular que quem dirigia era a ex-namorada, Isabela de Cássia de Andrade Faria, houve troca de lugar entre os dois no veículo. Imagens captadas por câmeras de segurança e dados do rastreador comprovam o contrário.
O pedido da defesa fundamenta-se em pareceres psiquiátricos e psicológicos particulares que indicam dúvidas acerca da integridade mental do vereador no momento dos fatos. A defesa afirmou não pretender antecipar conclusões sobre a responsabilidade penal do acusado, mas justificou a necessidade de um exame oficial.
Conforme o Código de Processo Penal, a decisão pelo exame cabe à Justiça, que deve avaliar a existência da dúvida sobre a sanidade mental do réu. Se deferido, o processo contra Bigodini ficará suspenso até o resultado do laudo. O juiz da Vara Criminal também poderá desmembrar a ação, permitindo a continuidade do processo contra a ex-namorada, que também é ré na ação penal.
A audiência prevista para esta segunda-feira seria a terceira tentativa de realização do ato. Anteriormente, a data foi adiada em junho, atendendo a uma determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo, e novamente em setembro por motivo de agenda da defesa.
Além dos réus, o Ministério Público indicou cinco testemunhas, incluindo policiais militares que atenderam à ocorrência; a defesa de Bigodini indicou cinco testemunhas, mas recuou em uma. A defesa de Isabela indicou duas testemunhas e solicitou que as testemunhas de acusação também sejam ouvidas.
O acidente ocorreu na madrugada do dia 28 de setembro de 2025 e não resultou em feridos. Na ocasião, Isabela estava no banco do motorista e afirmou que dirigia, apesar de não possuir habilitação. Entretanto, vídeos divulgados posteriormente demonstraram que Bigodini estava ao volante no momento da batida, e evidências coletadas indicam que ele apresentava sinais claros de embriaguez, como fala arrastada e dificuldade para manter-se em pé.
O Ministério Público recusou a oferta de acordo de não persecução penal para o vereador, alegando insuficiência do benefício diante da gravidade e circunstâncias do caso, especialmente considerando que ele já exercia mandato público na época dos fatos. Bigodini passou por suspensão de 180 dias na Câmara Municipal e retornou ao cargo em maio deste ano, onde permanece respondendo ao processo em liberdade.