57% das jogadoras de futebol enfrentam problemas de saúde mental e metade não recebe apoio dos clubes
Pesquisa da FIFPRO revela que mais da metade das atletas sofre com questões psicológicas, e 49% pensam em abandonar a carreira antes do previsto.
Um estudo divulgado pela Federação Internacional de Associações de Jogadores Profissionais (FIFPRO) trouxe à tona um problema preocupante no futebol feminino: 57% das jogadoras relatam dificuldades relacionadas à saúde mental, sendo que metade delas não recebe apoio psicológico por parte dos clubes.
A pesquisa ouviu 800 atletas de diversas nacionalidades e mostrou que quase metade das jogadoras (49%) considera deixar a carreira antes do planejado, devido a fatores como dificuldades financeiras (59%) e estresse psicológico (46%).
Condições de trabalho e assistência insuficientes
Apesar dos avanços e do crescimento do futebol feminino, o relatório “Working Conditions in Women’s Football” destaca que muitas atletas enfrentam remunerações baixas, contratos precários e ausência de assistência adequada à saúde. Quase metade (47%) declarou que seus clubes não contam com profissionais suficientes para atender às necessidades das jogadoras.
A média salarial das jogadoras aumentou para cerca de US$ 2.601 mensais, mas a mediana salarial é de US$ 1.669, revelando desigualdade na distribuição dos ganhos. Em vários países do Leste Europeu, os salários continuam abaixo do mínimo nacional.
Recomendações da FIFPRO
Diante da situação, a FIFPRO defende a obrigatoriedade de assistência psicológica no futebol feminino, citando como exemplo a National Women’s Soccer League (NWSL), dos Estados Unidos, que disponibiliza profissionais de saúde mental e licença de até seis meses por razões psicológicas.
A entidade também recomenda a adoção de padrões mínimos para salários, infraestrutura, equipes de apoio e assistência médica, formalizados em acordos coletivos nacionais. Atualmente, apenas oito das 30 ligas nacionais analisadas possuem tais acordos com participação sindical.
Entre os avanços destacam-se melhorias nos direitos ligados à maternidade, com redução das jogadoras que cogitam abandonar a carreira por esse motivo, aumento na duração média dos contratos e maior representatividade por agentes.
Segundo Alex Culvin, diretora de futebol feminino da FIFPRO, embora um grupo restrito de atletas tenha recebido melhorias significativas, a maioria ainda enfrenta obstáculos relacionados a suporte e estabilidade profissional.