Diagnóstico tardio de disfunção na mandíbula levou fisioterapeuta a internação por suspeita de AVC
Paciente de 28 anos ficou quatro dias na UTI com sintomas neurológicos antes de descobrir disfunção temporomandibular.
Aos 28 anos, a fisioterapeuta Jéssica Pasquale enfrentou um episódio alarmante: acordou com um lado do rosto dormente e foi internada com suspeita de acidente vascular cerebral (AVC). Após quatro dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e exames descartarem o AVC, a origem dos sintomas continuava desconhecida.
Mais tarde, Jéssica recebeu o diagnóstico de disfunção temporomandibular (DTM), transtorno que afeta a articulação da mandíbula e músculos da mastigação. Essa condição, que pode acometer cerca de um terço da população brasileira, provocava nela dores intensas há mais de dez anos, impactando inclusive sua rotina profissional.
Impactos da DTM e seu diagnóstico
A DTM engloba distúrbios que envolvem articulação temporomandibular, ligamentos e estruturas associadas. Embora o bruxismo seja uma das causas, nem todo paciente com DTM possui essa condição e vice-versa. Os sintomas incluem.
- Dores na região da mandíbula;
- Dificuldade para abrir a boca;
- Sons articulares ao movimentar a mandíbula;
- Dores de cabeça frequentes e enxaquecas;
- Problemas auditivos e zumbidos.
Estudos indicam que pessoas com enxaqueca têm probabilidade aumentada de apresentar DTM e que a disfunção está associada a transtornos emocionais e problemas de sono. O diagnóstico é feito clinicamente, complementado por exames de imagem e, atualmente, inteligência artificial tem auxiliado na identificação do problema.
Tratamento não invasivo e prevenção de procedimentos desnecessários
Especialistas ressaltam que o tratamento da DTM é predominantemente conservador, incluindo uso de placas interoclusais personalizadas, fisioterapia, laser e infiltrações. Até 90% dos pacientes obtêm melhora desses sintomas apenas com esses métodos.
Ademais, alertam para o risco de cirurgias desnecessárias, frequentemente motivadas pela cobertura limitada de tratamentos odontológicos por planos de saúde em comparação com procedimentos cirúrgicos bucomaxilofaciais.
História de Jéssica Pasquale
Jéssica começou a sentir dores após cirurgia odontológica na adolescência. A condição se agravou ao longo dos anos, até o episódio grave aos 28 anos que a levou à UTI sob suspeita de AVC. Após o diagnóstico correto de DTM e início do tratamento conservador, ela apresentou significativa melhora dos sintomas em três meses, retomando a qualidade de vida e a atividade profissional.
Ela segue utilizando a placa interoclusal para manutenção do controle da disfunção e participa de fisioterapia e exercícios. O caso de Jéssica ilustra a importância do reconhecimento precoce da DTM para evitar consequências graves e tratamentos inadequados.