Funcionários facilitam tráfico de drogas no aeroporto de Guarulhos, revela investigação da PF
PF investiga esquema no maior aeroporto do Brasil envolvendo funcionários que ajudam na entrada e saída de drogas em voos internacionais.
A Polícia Federal realizou uma investigação que revelou a participação de funcionários do aeroporto de Guarulhos no tráfico de drogas internacional. O esquema envolve trabalhadores com acesso a áreas restritas, que facilitam a entrada e a saída de substâncias ilícitas em voos de diferentes destinos.
Entre os flagrantes, destaca-se a prisão de um eletricista que foi detido no telhado do terminal com 33 quilos de cocaína. A investigação ainda apontou a atuação de profissionais da limpeza, auxiliares de transporte e outros setores internos do aeroporto, que movimentam drogas por rotas clandestinas ignoradas pelos passageiros.
Modus operandi e rotas do tráfico
A Polícia Federal identificou que a droga trafegava por caminhos não convencionais dentro da estrutura do aeroporto, passando por áreas monitoradas sem despertar suspeitas. Um dos métodos usados pelos criminosos foi a clonagem de etiquetas de malas de passageiros, como no caso da brasileira Gabriele Amador Silva, que teve sua etiqueta extraviada e usada para enviar 25 quilos de haxixe.
Além da exportação tradicional de cocaína para a Europa, a PF constatou o “tráfico reverso”, modalidade que traz drogas da Ásia, Europa e América do Norte para o Brasil. Em 2026, as apreensões no aeroporto já somam quase cinco toneladas, número recorde para o período.
Consequências e medidas
Até o momento, 274 pessoas foram presas por tráfico, incluindo funcionários com acesso a áreas restritas do aeroporto. A polícia segue empenhada na desarticulação das organizações criminosas responsáveis pela logística internacional do tráfico.
Em nota, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que estuda investimentos para reforçar a segurança em Guarulhos. A concessionária GRU Airport declarou que mantém estrutura de vigilância e busca aprimorar a cooperação com órgãos de segurança pública.