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Economia

Finlândia, país mais feliz do mundo, enfrenta crise e prevê cortes em serviços públicos e benefícios

Com dívida em alta e desemprego recorde na UE, Finlândia debate redução de gastos antes das eleições de 2027.

19/10/2026 às 05h20

Reconhecida por liderar o Relatório Mundial da Felicidade por nove anos consecutivos, a Finlândia vive atualmente uma crise financeira que ameaça seus serviços públicos e benefícios sociais. Com uma dívida pública que alcançou 90,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2026, o país enfrenta pressões para ajustar suas contas, especialmente diante do desemprego mais elevado da União Europeia, situado em 10,3% em agosto.

O crescimento do endividamento, que era de aproximadamente 65% do PIB antes da pandemia de covid-19, foi impulsionado por diversos fatores, incluindo o aumento de gastos com defesa após a adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em 2023 e os custos relacionados à transição energética, devido à dependência anterior da Rússia em seu abastecimento energético.

Pressão da União Europeia e medidas fiscais

A União Europeia abriu em janeiro de 2026 um procedimento por déficit excessivo contra a Finlândia, estabelecendo o prazo até o final de 2028 para que o país reduza o déficit fiscal para níveis dentro das regras do bloco — déficit público abaixo de 3% do PIB e dívida dentro de 60%. Atualmente, a previsão é de um déficit de 4,2% do PIB para o ano de 2026.

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O governo do primeiro-ministro Petteri Orpo, do Partido da Coalizão Nacional, de centro-direita, adotou uma política fiscal que prioriza cortes nos gastos públicos, principalmente em saúde, assistência social e benefícios sociais, para alcançar a meta de redução do déficit, rejeitando o aumento de impostos defendido por partidos social-democratas. O plano do governo inclui economias estimadas entre 8 e 11 bilhões de euros durante a atual legislatura, com a possibilidade de novos cortes no próximo mandato.

Impactos sociais e econômicos

O cenário econômico é agravado por um desemprego jovem que chega a 23,3%, acima da média da União Europeia, além da queda do consumo das famílias, segundo alertas de especialistas. Cerca de um quarto da população trabalha no setor público, o que pode resultar em demissões e queda adicional do consumo privado caso os cortes se aprofundem.

Ao mesmo tempo, setores exportadores relacionados à demanda por metais e à indústria naval têm apresentado crescimento, lembrando os anos de expansão econômica do período em que a fabricante Nokia impulsionava o país.

Gastos militares e energia

Desde a invasão russa à Ucrânia em 2022, a Finlândia aumentou seus gastos militares, subindo de 4,5 bilhões para mais de 8 bilhões de dólares anuais, e anunciou medidas para elevar o investimento à meta de 3,2% do PIB, próximo do objetivo da Otan. O país também investe em transição energética, com a entrada em operação da usina nuclear Olkiluoto 3 em 2023, ajudando a mitigar a crise energética decorrente dos altos custos da energia importada.

Confiança dos investidores

Apesar do cenário fiscal desafiador, investidores consideram a dívida finlandesa relativamente segura, refletido em um prêmio de risco menor comparado a outros países europeus como França e Itália. Entretanto, alertas indicam que choques futuros, como aumento prolongado do preço do petróleo ou crises políticas na região, podem agravar a situação.

Em 2027, a nação poderá ser contemplada novamente como o país mais feliz do mundo, mas a continuidade desse status dependerá da capacidade de controlar seu déficit fiscal e da execução das medidas de austeridade em um contexto econômico global incerto.

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