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Empresas

Embaixador dos EUA em Bruxelas alerta para retaliação severa contra empresas europeias sobre restrições na UE

Andrew Puzder, embaixador dos EUA na UE, advertiu sobre consequências duras para empresas europeias caso Bruxelas restrinja concorrentes americanos no setor tecnológico.

18/10/2026 às 15h21

Em uma declaração recente, o embaixador dos Estados Unidos junto à União Europeia, Andrew Puzder, manifestou preocupações quanto aos planos da Comissão Europeia de reservar parte da faixa de espectro para empresas europeias, limitando o acesso de concorrentes norte-americanos, como a SpaceX, no mercado tecnológico europeu.

A proposta da Comissão visa fortalecer a soberania tecnológica da Europa ao priorizar a participação de empresas do bloco na alocação do espectro que permite conexão direta entre smartphones e satélites, o que impactaria as operações da rede Starlink da SpaceX, serviço crucial para a comunicação na Ucrânia durante o conflito iniciado em 2022.

Questionado pelo Financial Times sobre a possibilidade de retaliações contra empresas europeias, Puzder alertou que medidas restritivas podem desencadear respostas “devastadoras” dos Estados Unidos, dada a importância do mercado norte-americano para as organizações europeias.

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Contexto regulatório e tensões comerciais

As mudanças regulatórias no setor tecnológico estão inseridas em um esforço maior da UE para reduzir a dependência de tecnologias e empresas estrangeiras, especialmente diante de preocupações políticas e de segurança envolvendo fornecedores norte-americanos e chineses. A União Europeia também apresentou a Lei de Desenvolvimento de Nuvem e Inteligência Artificial, que impõe requisitos de soberania para provedores de serviços sensíveis, buscando estimular o crescimento da indústria digital europeia.

Apesar de reconhecer o direito europeu de proteger dados governamentais, o embaixador americano expressou críticas à possibilidade de a legislação ser usada para favorecer empresas nacionais em detrimento de competidores americanos. Ele destacou que a competitividade não se alcança reduzindo a atuação das companhias americanas, mas por meio da excelência e confiabilidade dos produtos.

Puzder também questionou a real finalidade da Lei dos Mercados Digitais da UE, levantando dúvidas sobre se seu objetivo principal é fortalecer a concorrência ou arrecadar receitas significativas por meio de multas aplicadas a grandes empresas de tecnologia dos EUA.

Cooperação versus conflito tecnológico

O embaixador americano alertou que a abordagem regulatória europeia pode prejudicar a atração de investimentos das empresas dos Estados Unidos, afetando o desenvolvimento tecnológico dentro do continente. Ele defendeu a ideia de que Bruxelas e Washington deveriam cooperar para competir contra a China no avanço tecnológico, especialmente na área da inteligência artificial, ao invés de adotar uma postura conflituosa.

A Comissão Europeia, por sua vez, argumenta que as propostas regulatórias pretendem estimular a diversificação de fornecedores no mercado europeu e mantêm as portas abertas para operadoras fora do bloco.

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