Argentina registra fechamento de mais de 32 mil empresas no governo de Javier Milei
Número de empregadores formais caiu 6,3% desde novembro de 2023 até julho de 2026.
A Argentina viu o encerramento de mais de 32 mil empresas desde o início da gestão do presidente Javier Milei, conforme dados oficiais da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT) divulgados em outubro de 2026.
O total de empregadores com pelo menos um trabalhador registrado no sistema de seguro contra acidentes de trabalho diminuiu de 512.357 em novembro de 2023 para 480.067 em julho de 2026, o que representa uma queda de 6,3%. Esta redução marcou o 18º mês consecutivo de recuo no número de empresas cadastradas no sistema.
Fatores que pressionam o setor empresarial
Especialistas e entidades do setor atribuem essa queda a um conjunto de dificuldades enfrentadas pelas empresas, incluindo o enfraquecimento do consumo, custos elevados de energia, e uma maior concorrência por parte de produtos importados, que aumentaram 34,7% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2023.
Segundo a Confederação Argentina da Média Empresa (CAME), o aumento das contas de serviços e o endividamento das famílias reduziram o poder de compra, levando os consumidores a priorizarem gastos essenciais. Por sua vez, a União Industrial Argentina (UIA) apontou que as pequenas e médias indústrias enfrentam altos custos energéticos, carga tributária elevada e condições difíceis de financiamento, fatores que comprometem parte significativa do faturamento devido às vendas fracas.
Impacto setorial e contexto econômico
Embora os cortes de gastos públicos pelo governo Milei tenham sido adotados para conter a inflação, seus efeitos sobre a atividade econômica são variados. Em julho de 2026, os setores de comércio e indústria registraram retração em comparação com o mesmo mês de 2025, enquanto a mineração apresentou crescimento.
É importante destacar que a saída do cadastro da SRT não implica necessariamente o fechamento definitivo das empresas, podendo resultar de reorganizações internas ou falta de trabalhadores formalmente registrados.