Vereadores de Campo Grande solicitam CPI para investigar irregularidades no tapa-buraco
Pedido protocolado por 24 vereadores busca apurar suspeitas de corrupção e problemas nos serviços de manutenção asfáltica.
Um grupo composto por 24 vereadores de Campo Grande protocolou nesta sexta-feira (16) um pedido formal para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) conhecida como “CPI do Tapa-Buraco”. O objetivo é investigar possíveis irregularidades e suspeitas de corrupção relacionadas aos serviços de recuperação asfáltica na capital sul-mato-grossense.
O requerimento, que será analisado pela Procuradoria da Câmara antes de ser submetido a votação em sessão ordinária, prevê um prazo de 120 dias para que a comissão conduza as investigações, com a possibilidade de convocar testemunhas, solicitar documentos e realizar perícias técnicas.
Contexto e motivação da investigação
A solicitação dos vereadores tem como base denúncias de falhas na execução do serviço público de tapa-buracos e a queda significativa dos recursos destinados ao projeto de Modernização e Requalificação das Vias Urbanas. Consta no pedido que o orçamento para manutenção das vias urbanas caiu de mais de R$ 132 milhões em 2025 para pouco mais de R$ 40 milhões para 2026, representando uma redução de quase 70%.
Paralelamente, a população tem registrado prejuízos financeiros e riscos de acidentes causados pela precária condição das ruas. Moradores de bairros como Jardim Aero Rancho, Vila Planalto e Jardim TV Morena têm recorrido a medidas improvisadas para tampar buracos usando pedras, terra e entulho.
Investigações paralelas e ações judiciais
Além da CPI em tramitação, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul está investigando ações de improbidade administrativa e um processo criminal sob segredo de justiça que envolvem contratos relacionados à manutenção viária. As apurações indicam fraudes na medição dos serviços, com pagamentos por obras não realizadas ou parcialmente executadas.
Como resultado dessas investigações, a Operação “Buraco Sem Fim” levou à prisão do coordenador das ações de tapa-buracos na capital, Edvaldo Aquino, e de outros envolvidos.
Outras questões apontadas pelos vereadores
O documento dos parlamentares também destaca a subutilização da usina de pavimentação asfáltica pertencente ao Consórcio Intermunicipal CENTRAL MS, cuja capacidade é de 120 toneladas por hora de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ). Apesar de a prefeita Adriane Lopes presidir o consórcio, Campo Grande não estaria aproveitando adequadamente essa infraestrutura, o que pode apontar para falhas na gestão dos recursos disponíveis.
Falta de transparência e encaminhamentos
Segundo o requerimento, a fiscalização do Legislativo tem sido dificultada pela falta de respostas da Prefeitura aos pedidos de informação sobre os serviços de tapa-buracos. No primeiro semestre de 2026, um requerimento aprovado pela Câmara solicitou esclarecimentos detalhados, sem que a Prefeitura tenha cumprido o prazo legal para retorno.
Dos mais de 24,6 mil pedidos encaminhados pelos vereadores à administração municipal no mesmo período, quase 9 mil referem-se especificamente aos serviços de manutenção das vias.
O presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Vicente Silva Neto (Papy), afirmou que a comissão parlamentar servirá para aprofundar o debate e buscar soluções para os problemas enfrentados na recuperação do asfalto da cidade.