Citi e Bank of America limitam acesso de IA às contas de clientes por risco a depósitos
Bancos americanos restringem o uso de agentes de inteligência artificial para proteger depósitos e evitar movimentações não autorizadas.
O Citigroup e o Bank of America anunciaram restrições ao acesso de agentes de inteligência artificial (IA) às contas bancárias de seus clientes nos Estados Unidos, em resposta a preocupações regulatórias sobre possíveis riscos de movimentação automática de depósitos.
O Citi comunicou que não permite que assistentes ou agentes de IA de terceiros acessem as contas dos clientes ou realizem transações diretamente em suas plataformas digitais, medida voltada a proteger informações e fundos dos usuários.
Similarmente, Brian Moynihan, executivo do Bank of America, informou que o banco adotou limitações para o uso desses agentes em depósitos de pessoas físicas, enquanto desenvolve protocolos para definir responsabilidades quanto a pagamentos autorizados por IA. Segundo ele, “deve haver uma pessoa envolvida para autorizar a saída de dinheiro da conta”.
Essas medidas emergiram após o lançamento do assistente pessoal Muse AI, pela Meta, em setembro, o qual gerou temores de que robôs possam transferir automaticamente recursos ociosos para contas que ofereçam rendimentos superiores, como alertou um relatório do economista-chefe da Apollo, Torsten Slok.
Ele destacou que tais transferências automáticas poderiam reduzir significativamente o volume de depósitos de baixo custo nos principais bancos, os quais dependem desses fundos para financiar empréstimos. JPMorgan, Bank of America e Wells Fargo possuem juntos US$ 1,6 trilhão em depósitos sem remuneração, correspondendo a 16% de seus passivos, e pagar juros maiores impactaria fortemente sua lucratividade.
Executivos em Wall Street também têm buscado o Federal Reserve para discutir o aumento no uso de agentes de IA pelas famílias para movimentações financeiras, enquanto reguladores consideram necessária uma definição jurídica clara de responsabilidades em transações automatizadas.
Jamie Dimon, presidente do JPMorgan Chase, reafirmou a restrição do banco ao acesso de agentes de IA, enfatizando o risco de agentes desonestos e a necessidade de proteção aos clientes.
Para incentivar que clientes mantenham seus recursos depositados, especialistas apontam para estratégias como a ampliação de programas de fidelidade e ajustes nas taxas de empréstimos.