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Mato Grosso do Sul

MP aponta desvio de recursos públicos por presidente de hospital em Sidrolândia para financiar políticos e policiais

Investigação do Ministério Público de MS revela esquema envolvendo desvios e repasses ilícitos ligados ao Hospital Dona Elmíria.

17/10/2026 às 07h27

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investiga o presidente do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia, Jacob Meeuwis Breure, por suspeitas de desviar verbas públicas destinadas à saúde para financiar políticos e policiais civis, conforme relatório ao qual o g1 teve acesso. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 5,7 milhões.

Segundo a apuração, o esquema envolveria superfaturamento de planos de trabalho, direcionamento de contratos, lavagem de dinheiro e repasses a vereadores, agentes da Polícia Civil e integrantes da administração municipal. Jacob renunciou ao cargo após ser preso na segunda fase da Operação Dirty Pix, deflagrada pelo MPMS.

Detalhes das investigações e implicados

Entre os investigados estão a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho, que teria repassado informações sigilosas sobre operações do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) para o presidente do hospital, além de servidores e secretários municipais afastados. O assessor parlamentar Júlio César Alves da Silva também foi preso e é suspeito de receber recursos do investigado.

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José Ademir Gabardo, assessor da Secretaria de Governo e Desburocratização, foi exonerado. As defesas dos citados ainda não se manifestaram.

Funcionamento do suposto esquema

Conforme o MPMS, o investigado estruturou uma rede de captação ilícita de recursos de convênios estaduais, federais e municipais, formalizados por meio de planos de trabalho fraudulentos com valores superfaturados. Parte do dinheiro era repassado a políticos e operadores financeiros para manter influência política, incluindo pagamentos via Pix a vereadores para influenciar a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal.

O desvio também teria custeado despesas pessoais de policiais civis, como aluguéis e descaracterização de viaturas, em troca de informações sigilosas para evitar fiscalização.

Investigações financeiras e impactos

Quebras de sigilo bancário e análise de movimentações financeiras revelaram transferências para diversas contas, dificultando o rastreamento dos recursos. A estimativa de prejuízo mínimo é de R$ 5.715.977,93.

Processos judiciais foram iniciados para contestar irregularidades em obras e aquisições, como a compra de equipamentos hospitalares suspeitos de superfaturamento e entrega irregular, além de reformas revertidas com recursos da Itaipu Binacional, também investigadas.

Posição da defesa

O advogado de Jacob contestou as acusações, afirmando que os recursos foram aplicados conforme prestação de contas, incluindo obras de reforma aprovadas pela entidade financiadora, considerada distinta da administração pública.

Sustenta que o ex-presidente não tomou conhecimento dos pagamentos a vereadores e que os valores estariam relacionados a campanhas de deputados. A defesa também negou superfaturamento e afirmou que parte dos equipamentos apontados foi devolvida e o caso judicializado.

Jacob afirma estar tranquilo em relação às acusações e aguarda decisão judicial sobre o pedido de liberdade.

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