Pular para o conteúdo
Mato Grosso do Sul

Justiça condena empresários por desviar quase meio milhão do Hospital Regional de Ponta Porã, MS

Dois empresários são condenados por peculato-desvio em contratos com sobrepreço no Hospital Regional Dr. José de Simone Neto, em Ponta Porã.

17/10/2026 às 14h20

Dois empresários foram condenados pela Justiça Federal por desviar recursos destinados ao Hospital Regional Dr. José de Simone Neto, localizado em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul. O esquema envolveu contratos com sobrepreço e superfaturamento relacionados à instalação, manutenção e gestão do sistema Gestão Inteligente em Saúde (GIS) entre agosto de 2016 e dezembro de 2017.

Segundo a decisão judicial, o tesoureiro do Instituto Gerir, responsável pela administração do hospital, e o sócio-administrador da empresa contratada para o serviço foram sentenciados ao regime aberto. Eles devem devolver o montante de R$ 476.973, valor apurado por auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU).

O tesoureiro recebeu pena de dois anos de reclusão em regime aberto, além do pagamento de dez dias-multa, cada um estabelecido em três salários mínimos, totalizando R$ 48.630. Já o sócio-administrador da empresa foi condenado a oito meses de reclusão, também em regime aberto, com pagamento de três dias-multa, cada um equivalente a cinco salários mínimos, totalizando R$ 24.315.

Leia também: Golpista conhecido como ‘Don Juan’ é condenado a 15 anos por roubar e abandonar idosa em mata de SC

A sentença ainda determinou que os condenados façam a reparação dos danos causados ao erário, estimados em quase meio milhão de reais, e o pagamento de indenização por danos morais coletivos equivalente a três vezes o prejuízo provocado aos cofres públicos.

Investigação e provas

O juiz federal Bruno Barbosa Stamm, da 1ª Vara Federal de Ponta Porã, reconheceu a materialidade e a autoria do crime de peculato-desvio com base em diversas provas. Foram analisados relatórios de auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), e-mails, e planilhas encontradas em um HD externo que detalhavam o controle da conta-corrente utilizada no esquema de superfaturamento.

Durante o processo, o sócio-administrador da empresa confessou ter negociado diretamente o contrato com o superintendente do Instituto Gerir, além de admitir que elevou o custo do serviço de implantação do sistema e seus módulos de R$ 320 mil para R$ 720 mil. O valor mensal da manutenção também foi alterado de R$ 12 mil para R$ 25,5 mil, embutindo um sobrepreço aproximado de 40%.

📰 Veja também