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Rio de Janeiro

Prisão do deputado eleito Márcio Canella pode gerar impasse na posse na Alerj, recordando caso dos cinco parlamentares presos em 2018

Deputado Márcio Canella está com prisão preventiva mantida e poderá enfrentar dificuldades para assumir mandato em fevereiro de 2027 na Alerj.

17/10/2026 às 05h37

O deputado estadual eleito Márcio Canella, do União Brasil, teve a prisão preventiva mantida pela Justiça após sua detenção pela Polícia Federal no dia 15 de outubro de 2026. Com 197.178 votos nas eleições estaduais, ficando em segundo lugar na votação, seu caso pode reabrir um precedente sobre parlamentares presos e a posse de mandatos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Canella foi detido durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que apura movimentação suspeita de aproximadamente R$ 7,6 bilhões em postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio. A investigação envolve suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção.

A manutenção da prisão preventiva, sem prazo definido, pode impedir que Canella assuma seu mandato no início da próxima legislatura prevista para fevereiro de 2027. Isso gera incertezas sobre os procedimentos para a posse de deputados eleitos que estejam presos, situação que remete a um episódio semelhante ocorrido em 2018.

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Histórico da Operação Furna da Onça e posse de deputados presos em 2018

Em novembro de 2018, cinco deputados estaduais do Rio de Janeiro foram presos durante a Operação Furna da Onça, logo após terem sido reeleitos. André Corrêa, Luiz Martins, Marcus Abrahão, Marcus Vinícius Neskau e Chiquinho da Mangueira enfrentaram uma disputa judicial para assumirem os mandatos na Alerj.

Para a posse, os parlamentares foram diplomados por procuração, e posteriormente, a Assembleia Legislativa levou o livro de posse até os locais onde os deputados estavam presos, entre eles o Complexo Penitenciário de Bangu e prisão domiciliar, no caso de Chiquinho da Mangueira.

A Alerj informou na época que eles não teriam salários nem gabinetes enquanto permanecessem na prisão. Contudo, o Ministério Público contestou o procedimento, e houve suspensão da posse, gerando disputa judicial. Em decisão do Supremo Tribunal Federal, a Alerj foi reconhecida como competente para avaliar a prisão dos seus membros, o que levou à revogação das prisões preventivas dos deputados em 2019 e a posse efetiva em 2020.

Questões judiciais e eleitorais em torno da candidatura de Canella

Além do processo criminal, a candidatura de Márcio Canella foi contestada pelo Ministério Público Eleitoral, embora tenha sido aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Recursos podem ser apresentados, o que implica possibilidade de a validade dos seus votos ser reavaliada.

Importante destacar que a prisão preventiva, por si só, não configura a perda do mandato nem a anulação dos votos, mas cria um impasse sobre a posse caso o deputado permaneça encarcerado.

Defesa e confiança na Justiça

Por meio da defesa, Canella declarou confiança na Justiça, manifestando expectativa de que os fatos serão esclarecidos. Até o momento, as suspeitas investigadas permanecem em apuração judicial, sem condenações definitivas.

O caso de Canella será acompanhado de perto pela Alerj e pelos órgãos judiciais para determinar as etapas a serem seguidas para a assunção do mandato, considerando tanto as questões criminais quanto as eleitorais.

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