Geração Z mobiliza protestos globais usando redes sociais
Jovens da geração Z impulsionam manifestações em diversos países por educação, moradia e contra a corrupção por meio das redes sociais.
Jovens da geração Z têm assumido papel central em protestos ao redor do mundo, utilizando plataformas digitais como TikTok, Instagram, Telegram e WhatsApp para mobilizar manifestações que questionam questões como educação, moradia, emprego e corrupção.
Segundo especialistas entrevistados pelo G1, movimentos recentes em países como França, Índia, Albânia e Chile apresentam características comuns: a forte participação da geração Z — pessoas nascidas entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2010 — e a utilização das redes sociais como catalisadoras instantâneas das reivindicações populares.
Protestos recentes no mundo
Na França, desde setembro de 2026, estudantes têm saído às ruas para exigir melhorias no sistema educacional. Em manifestações recentes, registrou-se a participação de mais de 160 mil pessoas conforme dados do Ministério do Interior francês. A violência policial ganhou destaque, com relatos de adolescentes feridos e várias investigações em curso sobre excessos cometidos na repressão.
Na Índia, estudantes contrários à corrupção realizaram protestos que culminaram na renúncia do ministro da Educação em 2026. O movimento também tem pedido a saída do chefe da Comissão Eleitoral, contestando a exclusão massiva de eleitores das listas. A mobilização se destaca pelo uso de ironia e memes, e pela adoção simbólica da imagem de baratas, em referência a insultos contra jovens.
Na Albânia, as manifestações evoluíram para protestos contra o governo do primeiro-ministro Edi Rama, envolvendo questões como corrupção, condições das universidades e projetos controversos ligados a investidores americanos. Os atos, inicialmente pacíficos, se tornaram violentos com confrontos entre manifestantes e policiais.
No Chile, estudantes e organizações sociais convocaram marchas contra cortes na educação pública e reivindicaram direitos indígenas, em clima de tensões e detenções. O país vive ainda a expectativa de novas mobilizações marcando o sétimo aniversário do estallido social que abalou o país em 2019.
Redes sociais e características dos protestos
Para a professora Regiane Bressan, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o acesso em tempo real a imagens e informações facilita a disseminação de repertórios semelhantes de ação direta, permitindo que jovens adotem táticas de protesto inspiradas em mobilizações internacionais.
O humor, a ironia e os memes tornaram-se instrumentos importantes para engajar jovens que não se identificam com partidos políticos tradicionais e para criar narrativas que enfrentam o que percebem como exclusão e desigualdade.
Desafios e diferenças em relação a protestos históricos
Segundo o professor Luciano Gomes, do Centro Universitário Arnaldo Janssen, embora a geração Z apresente forte presença nas ruas, ela enfrenta desafios para construir organizações duradouras e formular propostas consensuais capazes de promover mudanças institucionais.
Diferentemente dos movimentos estudantis das décadas de 1960 e 1970, que eram fortemente vinculados a organizações estudantis e correntes políticas específicas, os protestos recentes tendem a ser mais fragmentados e menos ligados a estruturas partidárias tradicionais.
A velocidade da comunicação digital amplia o alcance internacional das manifestações, mas também intensifica a vulnerabilidade à desinformação e à polarização, segundo os especialistas.