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Internacional

Protestos contra custo de vida na França registram confrontos e uso de gás lacrimogêneo pela polícia

Manifestantes enfrentam forças de segurança em diversas cidades francesas durante protestos contra o aumento do custo de vida e serviços públicos.

17/10/2026 às 09h41

A França viveu uma série de protestos neste sábado (17) contra o aumento do custo de vida e as condições dos serviços públicos, marcados por confrontos entre manifestantes e a polícia, que utilizou gás lacrimogêneo em várias cidades do país.

De acordo com autoridades francesas, até o meio-dia do sábado foram registradas 140 manifestações pelo país, com cerca de 32,8 mil pessoas participando das mobilizações fora de Paris. O governo atribuiu a episódios de violência a grupos identificados como de “ultraesquerda”.

Os protestos tiveram início no mês anterior, com estudantes do ensino médio da periferia norte de Paris reivindicando mais professores e melhorias na infraestrutura escolar. Com o avanço das semanas, a pauta ampliou-se para críticas contra a desigualdade social, gastos públicos e a redução do poder de compra da população.

Leia também: França se prepara para sábado com dezenas de manifestações e risco de violência nas ruas

O Ministério do Interior comunicou que ocorrências de violência foram relatadas em várias cidades, incluindo atos de vandalismo em Marselha e ataques contra policiais, profissionais da imprensa e prédios públicos.

Em Paris, medidas rigorosas de segurança foram implementadas, especialmente nas proximidades de pontos turísticos como a Avenida Champs-Élysées e o Arco do Triunfo, que permaneceram fora dos trajetos autorizados para os protestos. Manifestantes com coletes de alta visibilidade bloquearam ruas, evocando o movimento dos “coletes amarelos” que mobilizou o país anteriormente.

Em Marselha, a sede da prefeitura foi vandalizada, conforme informou o prefeito. Após diálogo com autoridades nacionais, reforços policiais foram enviados à cidade.

Uma jovem manifestante de 19 anos, identificada como Lola, declarou em Paris que a luta é motivada pelo custo de vida insuportável, altos preços dos combustíveis e pelo fato de estudantes serem violentamente atacados durante protestos por melhores condições de ensino.

Em resposta às manifestações, o presidente Emmanuel Macron pediu calma na sexta-feira (16), enquanto seu governo enfrenta pressões políticas e econômicas crescentes.

As tentativas governamentais de conter a dívida pública não acalmaram investidores, elevando os custos de financiamento para níveis máximos em mais de duas décadas.

Repercussão e investigação da atuação policial

A polícia sofreu críticas por sua atuação durante os protestos, que resultaram em ferimentos a manifestantes, incluindo um adolescente que perdeu a mão após contato com uma granada de efeito moral. Por sua vez, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu informou que mais de 900 policiais ficaram feridos nos confrontos.

O órgão controlador da polícia investiga ao menos 24 denúncias relacionadas a violência por parte de agentes de segurança. A França havia suspendido o uso de granadas de efeito moral durante mobilizações estudantis, mas o ministro do Interior, Laurent Nuñez, confirmou a possibilidade de retomada do uso dos equipamentos neste sábado.

Ampliação das mobilizações

Convocações pelas redes sociais para integrar participantes de movimentos anteriores como o dos “coletes amarelos” parecem ter impulsionado a mobilização atual. O movimento dos coletes amarelos surgiu em 2018, inicialmente em resposta à alta tributação sobre o diesel, expandindo para protestos contra o custo de vida e desigualdade social. Embora tenha perdido força após cortes nos impostos anunciados por Macron, sindicatos e lideranças locais estimularam a participação nos protestos deste sábado, com múltiplos pontos de concentração organizados.

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