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Rio de Janeiro

Deputado federal Antonio Rueda concentra 60% dos votos em Belford Roxo, onde fez campanha com ex-prefeito investigado por milícia

Antonio Rueda, presidente do União Brasil, teve a maior parte dos seus votos em Belford Roxo, onde fez dobradinha com Márcio Canella, preso sob suspeita de usar milícia nas eleições.

17/10/2026 às 04h31

O deputado federal Antonio Rueda, presidente do União Brasil, conseguiu 60,2% de seus votos em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, local onde fez parceria eleitoral conhecida como “dobradinha” com o ex-prefeito da cidade, Márcio Canella. Canella foi preso em 15 de outubro de 2026 em uma operação que investigou o uso de milícia para influenciar os resultados eleitorais.

Segundo a Polícia Federal (PF), Canella teria mantido um braço armado violento para sustentar seu domínio político no município, com suporte de grupos paramilitares. Em relatório que resultou no pedido de prisão do ex-prefeito, a PF cita o controle de currais eleitorais com auxílio de milicianos. Ainda que Antonio Rueda não tenha sido citado diretamente nesse documento, a Procuradoria Regional Eleitoral indicou uma ligação estrutural e territorial entre ele, Canella e operadores paramilitares locais.

Durante a campanha, os dois candidatos fizeram propagandas conjuntas e apareceram junto a Fabinho Varandão, secretário municipal de Esportes na gestão de Canella. Varandão é apontado pela Procuradoria como integrante de uma milícia armada com prática de extorsões e ameaças a comerciantes em Belford Roxo, além do controle da distribuição de sinal de internet em alguns bairros. O parecer da Procuradoria ressaltou que Varandão formava a base de poder e infraestrutura que apoiou a candidatura de Rueda.

Leia também: PF identifica R$ 80 milhões em emendas para Belford Roxo na gestão de Márcio Canella

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) autorizou as candidaturas dos dois políticos apesar das evidências levantadas. Canella recebeu 133.956 votos em Belford Roxo, representando 54% do total para deputado estadual na cidade, enquanto Rueda obteve 155.836 votos para deputado federal, com mais de 60% desses votos concentrados na mesma localidade.

O desembargador Guilherme Calmon, que integrava o colegiado da corte eleitoral, divergiu e pediu indeferimento da candidatura de Canella com base em indícios como a nomeação da esposa de um miliciano conhecido como “Jura” para cargos na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e a dependência do ex-prefeito para atuar em áreas controladas por grupos ligados ao tráfico de drogas. Apesar dessa discordância, a maioria do plenário autorizou as candidaturas.

A validade dos votos de Canella será analisada futuramente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em julgamento ainda sem data marcada. A defesa do ex-prefeito declarou confiança na Justiça, enquanto Antonio Rueda e Fabinho Varandão não se manifestaram sobre as acusações.

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