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Saúde

Por que apenas uma irmã desenvolveu esquizofrenia se ambas compartilham genes e cresceram juntas?

Psiquiatra e geneticista explora a complexa relação entre genética e ambiente na esquizofrenia e relata sua vivência pessoal e científica.

17/10/2026 às 01h39

A médica e pesquisadora Consuelo Walss-Bass dedica duas décadas à investigação das causas biológicas da esquizofrenia, um transtorno psiquiátrico complexo que marcou profundamente sua família. Com mãe e irmã diagnosticadas com a doença, ela se questionou por que, apesar de compartilharem os mesmos genes e terem crescido no mesmo ambiente, apenas a irmã desenvolveu a esquizofrenia.

Em entrevista à BBC News Mundo, Walss-Bass relatou sua experiência pessoal junto ao conhecimento científico atual sobre o transtorno, tema central de seu livro “Por que a Minha Irmã?” (Allele Books, 2026). Ela destaca que a condição resulta de uma “tempestade perfeita” decorrente da interação entre genética e ambiente, e que não existe um único gene culpado, mas sim diferentes combinações genéticas que, associadas a fatores ambientais, influenciam o desenvolvimento da doença.

Segundo a pesquisadora, sua irmã Paty, que teve uma breve carreira como modelo, passou por traumas desde a gestação, enfrentando a ausência de cuidados maternos devido ao quadro da mãe durante a gravidez e nos primeiros anos de vida. Isolamento e falta de afeto na infância e adolescência foram fatores ambientais que, junto à carga genética herdada, contribuíram para o início da esquizofrenia.

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Walss-Bass enfatiza a dificuldade em reconhecer precocemente os sintomas porque eles se manifestam durante a adolescência, fase marcada por mudanças normais no comportamento e no cérebro. Contudo, a combinação de raiva, paranoia e isolamento pode indicar sinais iniciais da doença. Ela relata que, no caso de Paty, episódios como paranoia e isolamento aconteceram antes do diagnóstico.

A pesquisadora também compartilha as dificuldades pessoais, como o sentimento de culpa por não ter conseguido evitar a evolução da doença na irmã, algo comum entre familiares de pacientes. Ela reforça que a esquizofrenia, além de ser um transtorno biológico, traz um impacto significativo às famílias e enfatiza a necessidade de redes de apoio para o tratamento e a convivência.

Em relação ao tratamento, Walss-Bass comenta que os medicamentos atuais são semelhantes aos usados há décadas, como a clozapina, única capaz de auxiliar sua irmã. Ela demonstra otimismo em relação a avanços futuros que possam direcionar terapias para os genes envolvidos, proporcionado curas mais efetivas.

Para a pesquisadora, a compreensão científica da esquizofrenia ajuda a combater o estigma social, que ainda é intenso, especialmente porque os sintomas podem causar medo nas pessoas próximas. O conhecimento de que o paciente não controla as manifestações da doença é fundamental para reduzir preconceitos e promover suporte.

Walss-Bass conclui destacando a importância de reconhecer o transtorno cedo e buscar tratamento, além de promover apoio familiar e comunitário, que são essenciais para a estabilidade e qualidade de vida dos pacientes com esquizofrenia.

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