Entidades solicitam investigação no MPF sobre suposta rede de exploração sexual ligada a Daniel Vorcaro
Setenta organizações pedem apuração no Ministério Público Federal sobre denúncias de tráfico de mulheres associadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Setenta entidades e representantes da sociedade civil enviaram ao Ministério Público Federal (MPF), na sexta-feira (16), um pedido formal para que seja investigado um possível esquema de tráfico de mulheres para exploração sexual envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A solicitação se baseia em informações veiculadas em reportagem publicada no dia 13 de outubro pelo UOL.
O documento apresentado destaca a necessidade de apurar casos de abuso da vulnerabilidade, especialmente contra mulheres refugiadas, bem como eventual participação de crianças e adolescentes em esquemas de exploração ou corrupção. As entidades também ressaltam que não contestam o exercício voluntário da prostituição, mas pedem foco na investigação de possíveis casos de violência, fraude, coação ou abuso no recrutamento e deslocamento dessas mulheres.
Vorcaro, proprietário do Banco Master, está preso desde 4 de março, como parte de uma investigação da Polícia Federal que apura fraudes financeiras bilionárias. Ele negou ligação com redes de prostituição, afirmando que os conteúdos vazados são manipulados e que está disposto a colaborar com as investigações.
A manifestação pública foi assinada por organizações como a Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e da Juventude (ASBRAD), Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (CAMI), Comunidade Congolesa no Brasil (CCB), entre outras entidades voltadas à proteção dos direitos humanos, migrantes e combate ao tráfico humano. Também inclui membros do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CONDEPE) e ativistas vinculados a causas de defesa das mulheres e de migrantes.
Swany Zenobini, ativista que participou da iniciativa, enfatizou a urgência de dar visibilidade às denúncias e garantir uma apuração rigorosa para que possíveis vítimas sejam identificadas e protegidas, afirmando que a sociedade civil está unida para cobrar justiça e responsabilização.
O documento entregue ao MPF pede uma investigação imparcial e cuidadosa, sem prejulgamentos, para esclarecer se houve uso de violência ou abuso de vulnerabilidade na suposta estrutura de recrutamento, atendimento e disponibilização de mulheres para eventos privados no Brasil e no exterior, envolvendo as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.