Bradesco BBI mantém otimismo com Ultrapar e Vibra mesmo com recuperação lenta após eleições
Apesar das distribuidoras de combustíveis ficarem fora da valorização do mercado pós-eleições, o Bradesco BBI vê fundamentos sólidos para Ultrapar e Vibra.
Após o primeiro turno da eleição presidencial brasileira, o mercado acionário registrou uma valorização expressiva, impulsionada pela expectativa de um ambiente econômico mais favorável, especialmente com a perspectiva da redução das taxas de juros. No entanto, as distribuidoras de combustíveis, representadas principalmente por Ultrapar (UGPA3) e Vibra (VBBR3), ficaram de fora desse movimento de alta.
Em análise recente do Bradesco BBI, assinada pelos analistas Vicente Falanga, Gustavo Sadka e Leandro Neto, o desempenho inferior dessas companhias é parcialmente compreensível, uma vez que o movimento pós-eleitoral beneficiou setores mais sensíveis à queda dos juros e ao custo de capital. Contudo, o banco ressalta que as ações da Ultrapar e Vibra estão se tornando mais atrativas em termos relativos após a recente reprecificação do mercado.
O BBI destaca que, comparando os múltiplos preço/lucro (P/L) projetados para 2027 desde o pregão anterior ao primeiro turno, enquanto setores com maior sensibilidade aos juros apresentaram aumento médio dos múltiplos entre 10% e 29%, os indicadores das distribuidoras mantiveram estabilidade ou registraram ligeira queda. O P/L projetado da Ultrapar permaneceu em 13,6 vezes, que pode reduzir para 10,5 vezes considerando uma margem de R$ 250 por metro cúbico. Já o da Vibra recuou de 10,7 para 10,2 vezes, ou de 8,4 para 7,9 vezes sob a mesma premissa.
O banco também aponta que, com a redução da euforia inicial referente às eleições, espera-se que os investidores retornem sua atenção para os fundamentos específicos de cada empresa. Entre os fatores que sustentam a visão otimista estão os esforços governamentais para combater a informalidade no mercado de combustíveis, o que pode resultar em revisões positivas nas estimativas de lucro dessas companhias.
Além disso, o cenário internacional, marcado pela elevação dos preços dos combustíveis em meio a conflitos geopolíticos, pode oferecer condições favoráveis para as margens das distribuidoras nos próximos trimestres.
Dessa forma, para o Bradesco BBI, a combinação do combate à informalidade no mercado doméstico e o cenário externo reforçam a perspectiva favorável para Ultrapar e Vibra, mesmo que as ações dessas empresas ainda não tenham refletido parte da valorização vista em outros setores do mercado brasileiro.