PM suspeito de matar ex-mulher e pais dela no RS será avaliado psicologicamente pela Brigada Militar
Policial militar Cristiano Domingues Francisco passará por junta médica para avaliar capacidade de responder ao processo administrativo na Brigada Militar.
O policial militar Cristiano Domingues Francisco, principal suspeito pelo desaparecimento e morte da família Aguiar em Cachoeirinha, Rio Grande do Sul, passará por uma avaliação psicológica realizada pela Junta Policial-Militar de Saúde da Brigada Militar. A medida tem como finalidade verificar se ele possui condições psicológicas para responder ao processo administrativo no Conselho de Disciplina da corporação.
Silvana de Aguiar, de 48 anos, ex-mulher de Cristiano, e seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69 anos, e Dalmira Germann de Aguiar, 70 anos, desapareceram nos dias 24 e 25 de janeiro. O caso já dura nove meses e as autoridades consideram remotas as chances de encontrá-los com vida.
Cristiano responde, na esfera criminal, por dois feminicídios (Silvana e Dalmira), um homicídio qualificado (Isail), além dos crimes de ocultação de cadáver, fraude processual, associação criminosa, falsidade ideológica, furto e abandono de incapaz. O Ministério Público denunciou formalmente o policial, seu irmão Wagner Domingues Francisco e a companheira de Cristiano, Milena Ruppenthal Domingues, por participação nas mortes e ações para dificultar as investigações. Outras três pessoas também foram indiciadas.
O procedimento de avaliação psicológica estava inicialmente previsto para 18 de setembro, mas foi adiado sem nova data confirmada. Cristiano está preso no Presídio Policial Militar em Porto Alegre e encontra-se afastado das funções policiais, recebendo seus vencimentos enquanto aguarda decisão final no processo disciplinar. A Brigada Militar informou que o processo administrativo tramita regularmente, garantindo ao acusado o direito ao contraditório e à ampla defesa.
A avaliação médica irá considerar, entre outros aspectos, a existência de eventual “moléstia psicológica” no momento dos fatos, a capacidade do policial para compreender a ilicitude das infrações administrativas e para se submeter ao processo. Caso considerado apto, Cristiano poderá ser julgado pelo Conselho de Disciplina, que pode aplicar punições que vão até a expulsão da corporação.
As defesas de Cristiano, Wagner e Milena estão questionando pontos da investigação e aguardam laudos técnicos para análise detalhada do caso. Entre os argumentos apresentados está o questionamento da cronologia da acusação, a ausência dos corpos, além de alegações de falhas técnicas e processuais durante as investigações e procedimentos policiais. Milena, por sua vez, foi proibida judicialmente de se aproximar do enteado, filho de Silvana.
Apesar da conclusão do inquérito com indiciamento de seis pessoas, o processo judicial ainda não tem prazo definido para julgamento. A Justiça negou pedidos de prisão de Wagner e Milena, decisão que foi mantida pelo Tribunal de Justiça.