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São Paulo

Influenciadora presa por ligação com máfia italiana adquiriu imóveis de luxo em São Paulo com recursos ligados ao tráfico

Justiça Federal concluiu que Paula Simões comprou dois apartamentos em SP com dinheiro oriundo do tráfico de drogas do marido, líder da máfia italiana no Brasil.

16/10/2026 às 06h09
1 de 4 Paula Simões foi apontada pela PF como 'herdeira operacional' de esquema ligado à máfia italiana ‘Ndrangueta’
1 de 4 Paula Simões foi apontada pela PF como 'herdeira operacional' de esquema ligado à máfia italiana ‘Ndrangueta’ — Foto: Redes sociais

A influenciadora Paula Simões, detida em setembro deste ano por sua suspeita ligação com a máfia italiana ‘Ndrangheta, foi condenada pela Justiça Federal por lavagem de dinheiro decorrente da compra de dois apartamentos localizados em áreas nobres de São Paulo, valores que somaram aproximadamente R$ 1,9 milhão. A Justiça concluiu que esses bens foram adquiridos com recursos provenientes do tráfico de drogas comandado pelo marido de Paula, Patrick Assisi, identificado como chefe da organização criminosa no país.

Os imóveis foram registrados em nome de Paula em abril de 2015, período anterior à oficialização do casamento com Patrick Assisi, realizado quatro dias depois da primeira transação. A compra em nome dela foi apontada pela Justiça como tentativa de ocultar a verdadeira origem ilícita dos recursos, tendo-se apurado que a justificativa apresentada pela defesa, de que o marido ainda não possuía CPF na ocasião, não foi confirmada. Também foi constatado que a suposta empresa utilizada pelo casal para justificar os valores foi criada após a aquisição dos apartamentos.

Além dos imóveis, o Ministério Público Federal atribuiu ao casal a compra de um veículo BMW avaliado em cerca de R$ 100 mil, que, segundo Paula, teria sido um presente, embora essa acusação tenha sido afastada pela Justiça por falta de provas. Em julho de 2022, Paula e Patrick foram condenados a penas superiores a três anos de reclusão, convertidas posteriormente em prestação pecuniária e serviços comunitários. Em maio de 2026, a condenação foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, com ajustes nos valores das multas.

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Assunção da liderança no tráfico e coordenação das operações

Com a prisão de Patrick e de seu pai Nicola Assisi, em julho de 2019, autoridades apontam que Paula passou a assumir a coordenação das atividades relativas ao tráfico de cocaína no Brasil. A Polícia Federal a descreveu como ‘herdeira operacional’ do esquema da máfia italiana. Documentos da investigação indicam que Paula usava o codinome “Chanel” em comunicações via aplicativo criptografado SkyECC para intermediar contatos entre fornecedores sul-americanos e investidores europeus, além de participar da movimentação financeira da organização.

As apurações também revelaram conexões entre a máfia italiana e outras organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) no Paraguai, simbolizado pela liderança de Elton Leonel Rumich da Silva, conhecido como Galã, atualmente preso. A Polícia Federal identificou envolvimento do advogado Patrick Raasch Cardoso, que teria atuado na mediação dessas relações internacionais e auxiliado na lavagem de dinheiro por meio de locações simuladas e emissão de notas fiscais falsas.

Operação financeira e movimentação de recursos ilícitos

Entre os métodos de lavagem de dinheiro identificados, destaca-se o uso do sistema “dólar-cabo/token”, por meio do qual foram movimentados mais de US$ 6 milhões entre 2020 e 2021, envolvidos no financiamento da aquisição de drogas e despesas da máfia. Um carregamento específico de 300 kg de cocaína teve o pagamento registrado em US$ 1,47 milhão.

A defesa de Paula Simões nega todas as acusações, ressaltando que nenhuma droga foi apreendida em posse da influenciadora e que as suspeitas de continuidade das atividades criminosas após a prisão dos Assisi não são fatos comprovados, mas inferências policiais. Já o advogado Patrício Cardoso afirma que sempre agiu dentro dos limites éticos da profissão e aguarda decisão sobre seu pedido de revogação de prisão preventiva.

Desde o início das investigações, a Justiça determinou a perda e o sequestro dos bens adquiridos com os recursos ilícitos, incluindo um dos apartamentos e direitos creditórios do outro imóvel, assim como valores obtidos em suas locações.

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