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Rio de Janeiro

PF revela que grupo ligado ao deputado eleito Márcio Canella recebia avisos antecipados sobre fiscalizações em postos de combustíveis no Rio

Investigação da Polícia Federal aponta que informações sigilosas sobre inspeções eram repassadas a esquema com participação política e policial.

16/10/2026 às 04h19

Uma investigação da Polícia Federal revelou que um grupo com participação do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) era informado previamente sobre fiscalizações em postos de combustíveis no Rio de Janeiro. De acordo com os autos, avisos indicavam estabelecimentos, cronogramas e horários das operações de órgãos como o Procon, permitindo que fossem tomadas medidas para evitar a constatação de irregularidades.

A apuração integra a 8ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada em 15 de outubro de 2026, que também resultou na prisão de Canella, do delegado Marcus Amim (ex-secretário de Polícia Civil), do policial civil Pablo Jukiá Felix Ferreira (conhecido como Pablo Russo), do empresário José Carlos Alves de Souza Júnior e dos policiais civis Christiano e Giovanni Gaspar Fernandes.

Funcionamento do esquema e participação dos investigados

Segundo a Polícia Federal, servidores ligados aos órgãos de defesa do consumidor repassavam as informações sigilosas ao advogado Diogo Pacheco do Couto, que as encaminhava a Pablo Russo. Foram encontrados registros de conversas entre abril e maio de 2026 nas quais eram trocados detalhes como data, alvo e horário exato do início das fiscalizações — um exemplo citado foi o horário das 9h30 para uma operação.

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Além de permitir antecipação e eventual ocultação de irregularidades, os agentes suspeitos utilizavam essas informações para dificultar a atuação das equipes de fiscalização, que verificavam, entre outros pontos, se a quantidade de combustível das bombas correspondia ao volume registrado. A investigação aponta que o grupo buscava frustrar controles sobre quantidade e qualidade do combustível comercializado.

Márcio Canella foi identificado pela PF como o articulador político do grupo, enquanto Marcus Amim era responsável por garantir proteção institucional. Pablo Russo e José Carlos Alves seriam os gestores de fato da rede, com parte das empresas registradas formalmente em nome das mulheres deles.

Outros elementos da investigação

A Polícia Federal coletou um depoimento de um ex-sócio que relatou ter sido alvo repetido de fiscalizações após pedir a devolução de valores investidos, interpretando as operações como forma de pressão. Ele declarou que os investigados adquiriam postos de forma parcelada, pagavam as primeiras prestações e permaneciam com os estabelecimentos sem quitar o restante, utilizando ameaças contra os vendedores.

O relatório de inteligência financeira da Procuradoria Geral da República citado no processo indica 2.171 comunicações de operações suspeitas envolvendo 835 pessoas físicas e jurídicas, totalizando movimentações estimadas em R$ 7,64 bilhões entre maio de 2020 e março de 2026.

Medidas judiciais e respostas

Foram cumpridos seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão. A defesa de Marcus Amim e de Márcio Canella informou que não irá se pronunciar ainda por não ter acesso às decisões judiciais. A Polícia Federal segue em investigação do esquema que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e formação de cartel no setor de combustíveis.

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