Mercado financeiro adota postura cautelosa após euforia inicial com cenário eleitoral brasileiro
Após alta expressiva na bolsa e queda do dólar, mercado reage com cautela diante de disputa presidencial apertada e incertezas fiscais.
Depois de uma forte valorização de 8,82% na semana passada, durante o primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil, o Ibovespa tem apresentado recuo, enquanto o dólar se fortalece frente ao real. A bolsa acumulou queda de 2,3% nos três pregões recentes, refletindo uma mudança de humor entre investidores.
Especialistas apontam que a cautela do mercado é resultado do aperto da disputa eleitoral entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além do surgimento de propostas que podem impactar as contas públicas, como tarifa zero nos transportes aos finais de semana, perdão de dívidas dos microempreendedores individuais e debates sobre a redução da jornada de trabalho.
Pesquisas recentes indicam uma diminuição da vantagem de Flávio Bolsonaro, ficando em empate técnico com Lula dentro da margem de erro. Essa situação trouxe um “choque de realidade”, segundo Luis Otávio de Souza Leal, economista-chefe da G5 Partners, levando investidores a revisarem apostas e aguardarem mais evidências nos próximos eventos eleitorais e pesquisas.
O mercado cambial também está sensível a essas oscilações. Márcio Riauba, do StoneX Banco de Câmbio, enfatiza que o real será influenciado pela percepção de qual candidato oferece maior previsibilidade fiscal. Uma vantagem mais clara para um candidato que priorize o equilíbrio fiscal pode atrair fluxo estrangeiro, ao passo que uma disputa apertada deve manter a volatilidade e a demanda por proteção cambial.
Apesar do recente cenário de correção, instituições financeiras globais como UBS e Goldman Sachs mantêm perspectivas otimistas. O UBS elevou a recomendação para ações brasileiras, destacando espaço para valorização se a percepção de risco fiscal continuar a melhorar. O Goldman Sachs avalia que o Ibovespa pode alcançar 225 mil pontos caso o próximo governo mantenha disciplina fiscal e políticas pró-mercado.
No entanto, analistas ressaltam que o mercado não espera uma trajetória linear de alta. A seletividade em setores e a maior atenção às propostas econômicas dos candidatos têm se intensificado, principalmente em segmentos sensíveis a custos trabalhistas, como varejo, supermercados e serviços.
Antonio Patrus, CEO da Bossa Invest, recomenda cautela e seletividade diante da volatilidade crescente que deve persistir até o segundo turno das eleições. Enquanto isso, os principais motores do mercado continuarão sendo pesquisas eleitorais, debates e declarações dos candidatos, que conectam as oscilações da Bolsa, do dólar e dos juros à incerteza política vigente.