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Empresas

Mensagens indicam que empresário chamava Gusttavo Lima de ‘sócio’ em casa de apostas, mas cantor nega vínculo societário

Documentos da polícia revelam conversas tratando Gusttavo Lima como sócio da Vai de Bet; artistas e empresários negam irregularidades.

15/10/2026 às 22h32  ·  Atualizado em 15/10/2026 às 22h35

Mensagens obtidas pela BBC News Brasil a partir do telefone do ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelam que o empresário José André da Rocha Neto, sócio da casa de apostas Vai de Bet, tratava o cantor sertanejo Gusttavo Lima como “sócio” do empreendimento. Essas conversas fazem parte das apurações da Polícia Federal sobre crimes financeiros ligados a Vorcaro, que está preso desde março de 2026.

O fato ocorre em meio à investigação da Operação Integration, deflagrada em setembro de 2024 pela Polícia Civil e Ministério Público de Pernambuco, que apontava suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de casas de apostas, incluindo a Vai de Bet. Embora Gusttavo Lima tenha sido alvo de mandado de prisão e bloqueio de parte do seu patrimônio, tais medidas foram posteriormente revogadas e a investigação arquivada por falta de provas suficientes para denúncia.

Negativa de vínculo societário e esclarecimentos

O cantor, cujo nome civil é Nivaldo Batista Lima, sempre negou ser sócio da Vai de Bet, afirmando que atuava apenas como garoto-propaganda da casa de apostas até a proibição legal do funcionamento dessas operações, em 2024. Em transmissão ao vivo em setembro daquele ano, insistiu que não era dono nem tinha participação societária na empresa.

Leia também: O preço da notícia: o que o caso Vorcaro revela sobre a imprensa brasileira

A assessoria de imprensa do artista declarou à BBC News Brasil que Gusttavo Lima prestou todos os esclarecimentos solicitados pelas autoridades e teve sua inocência comprovada. Ressaltaram ainda que as conversas entre o cantor e Vorcaro se resumiram a tratativas de negócios, sem avanços ou contratos assinados.

Mensagens entre Vorcaro, André Rocha e Gusttavo Lima

As conversas entre Vorcaro e André Rocha, obtidas pela BBC News Brasil, indicam que Rocha chamava Gusttavo Lima de “embaixador e sócio” da Vai de Bet, mencionando também a participação do cantor em outras empresas do ramo. Em diálogo datado de 1º de abril de 2024, Rocha enviou links relacionados à empresa e afirmou: “Gusttavo Lima é embaixador e sócio”.

Além disso, mensagens trocadas entre o ex-ministro das Comunicações Fabio Faria e Vorcaro mencionam Gusttavo Lima como sócio da casa de apostas, discutindo riscos relacionados à operação policial contra a Vai de Bet. Segundo essas conversas, havia dúvidas sobre a formalização do vínculo societário por parte do cantor.

Contratos e participação na marca

Documentos do processo indicam que Gusttavo Lima possuía um aditivo contratual em que recebia 25% dos direitos sobre a marca “Vaidebet” para o Brasil e exterior, em contrato firmado em julho de 2024. A negociação previa repasses financeiros caso a marca fosse vendida, mas não configurava formalmente participação societária.

Investigações em curso e posições dos envolvidos

Vorcaro é investigado por supostos crimes financeiros relacionados a fraudes e lavagem de dinheiro. Sua defesa alega colaboração com a investigação e tenta acordo de colaboração premiada, ainda sem concretização. Até o momento, nenhuma denúncia formal foi feita contra o cantor.

As assessorias de André Rocha e Daniel Vorcaro não se manifestaram sobre as mensagens ou investigações. A defesa do ex-ministro Fabio Faria também não foi localizada para comentar as conversas divulgadas.

Contexto de influência e conexões políticas

Além de Gusttavo Lima, mensagens indicam que Daniel Vorcaro mantinha contatos frequentes com políticos, ministros do Supremo Tribunal Federal e empresários, o que reforça a complexidade e alcance das investigações sobre o setor de apostas no país.

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