Fim da escala 6×1 no Senado é destacado como vitória de Lula antes do segundo turno
Senado aprova fim da escala 6×1 que a imprensa internacional vê como avanço político de Lula a 11 dias da eleição.
A aprovação pela maioria do Senado Federal do fim da escala 6×1, na quarta-feira (14), foi destacada pela imprensa internacional como uma vitória significativa para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a apenas 11 dias do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil.
O resultado da votação, com placar de 75 votos favoráveis e apenas um contrário, consolidou a aprovação da proposta que reduz a jornada máxima de trabalho semanal, inicialmente fixada em 44 horas, para 42 horas em 60 dias após a promulgação, e para 40 horas no prazo de um ano. A mudança assegura que não haverá redução salarial com a alteração na jornada.
Agências como Reuters e Associated Press (AP) enfatizaram o caráter legislativo importante da conquista para Lula, ressaltando também a união entre parlamentares de diferentes espectros políticos na votação. A AP informou que o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário direto de Lula nas eleições, votou remotamente durante campanha no Sul do país e surpreendeu ao acompanhar a maioria favorável à proposta, após meses de oposição.
Embora Flávio Bolsonaro tenha sinalizado que, se eleito, poderá buscar reverter a mudança, o voto em favor da proposta no Senado foi interpretado como um movimento para evitar desgaste político em uma disputa eleitoral acirrada, segundo analistas mencionados pela AP.
Na cobertura internacional, veículos como o britânico The Guardian relacionaram a mudança de posição do senador à popularidade da reforma entre a população. Já o francês Le Monde contextualizou essa vitória política para Lula no Congresso em meio à proximidade do segundo turno eleitoral, marcado para o dia 25 de outubro. A Deutsche Welle (DW) ressaltou que a redução da jornada semanal pode proporcionar um impulso favorável à candidatura do presidente.
Com a manutenção do texto aprovado na Câmara dos Deputados em maio e o forte apoio no Senado, a proposta segue para promulgação sem passar pela sanção presidencial. A discussão acerca do período de transição permaneceu como principal ponto de negociação, com empresários e parte dos parlamentares inicialmente defendendo uma implementação gradual em dez anos, enquanto o texto aprovado prevê 14 meses para plena vigência.
O episódio também ocorre em meio a outras movimentações políticas, como a expectativa pela votação da PEC da Segurança Pública e pedidos judiciais contra a chapa de Lula, mas a aprovação da alteração da jornada de trabalho é vista como tema relevante e estratégico na campanha que se aproxima do encerramento.