Manaus enfrenta há mais de dez anos episódios recorrentes de fumaça intensa por queimadas, meteorologista detalha causas
Desde 2015, Manaus registra períodos de fumaça causada por queimadas, com variações na intensidade influenciadas por fatores climáticos e ambientais.
Manaus enfrenta, desde 2015, ciclos recorrentes de fumaça intensa resultante de queimadas no estado do Amazonas. Em 2026, a capital voltou a registrar episódios de poluição atmosférica relacionados a incêndios florestais e urbanos, refletindo uma tendência verificada ao longo da última década.
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de focos de queimadas no Amazonas variou significativamente nos últimos anos, com 13.419 registros em 2015, pico de 25.499 em 2024, e queda para 7.865 em 2026. Entretanto, esse número não é o único fator determinante para a intensidade da fumaça sobre Manaus.
Fatores que influenciam a concentração de fumaça
A meteorologista Andrea Ramos, em entrevista ao g1, explicou que a fumaça que cobre Manaus pode ser transportada por ventos desde queimadas localizadas longe da capital. A quantidade de poluentes suspensos no ar, a duração da estiagem, a direção e velocidade dos ventos, assim como a estabilidade atmosférica, determinam a dispersão ou o acúmulo da fumaça em áreas urbanas.
A ausência de chuvas prolongadas deixa a vegetação e o solo mais secos, facilitando a propagação do fogo e a permanência das partículas na atmosfera. Ventos fracos e atmosferas estáveis favorecem a concentração da fumaça próxima ao solo, ocasionando períodos de baixa visibilidade e piora da qualidade do ar, mesmo em anos em que o número de focos seja inferior a temporadas anteriores.
Além disso, a localização das queimadas é determinante, pois áreas próximas às regiões de influência dos ventos para Manaus têm maior impacto na poluição local.
Impactos climáticos e ambientais
O fenômeno climático El Niño pode aumentar a intensidade da seca e do calor na Amazônia por meio da alteração da circulação atmosférica, reduzindo as chuvas. Contudo, o El Niño não é responsável direto pelos incêndios, que dependem de ignição externa para serem iniciados. Em 2023, a combinação do El Niño e um aquecimento anormal do Atlântico Tropical Norte gerou condições extremas de seca e temperaturas elevadas na região, contribuindo para níveis baixos nos rios e agravando a poluição por fumaça.
Combate às queimadas
Entre 1º de junho e 7 de outubro de 2026, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas atuou no combate a 19.224 focos de incêndios, dos quais 3.996 ocorreram em Manaus e 15.228 no interior do estado. A corporação expandiu sua estrutura operacional com a operação Amazonas+Verde, que inclui enfrentamento de ilícitos ambientais e educação ambiental.
O efetivo aumentou de 692 militares em 2019 para 1.651 em 2026, e foram adquiridas 20 novas viaturas equipadas para combate a incêndios, além de 453 equipamentos multimissão para os bombeiros.