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Amazonas

Áudio expõe ausência de viatura dos bombeiros para incêndio em Manacapuru, AM

Gravação obtida pela Rede Amazônica revela que Corpo de Bombeiros não tinha veículo disponível para atender emergência em comunidade rural do Amazonas.

15/10/2026 às 01h02

Uma gravação divulgada em 14 de outubro pela Rede Amazônica revelou que em 19 de agosto o Corpo de Bombeiros do Amazonas não possuía viatura disponível para atender a uma emergência de incêndio na comunidade Nova Aliança, localizada na zona rural de Manacapuru.

No áudio, uma moradora entra em contato por telefone para cobrar socorro, relatando que as chamas se aproximavam das residências locais. Um bombeiro responde que a única viatura estava mobilizada para um atendimento em um incêndio na região do Figueirinho e que, portanto, não havia disponibilidade imediata para deslocamento até a comunidade.

Na mesma conversa, o militar explica que a equipe precisaria concluir o serviço na primeira ocorrência para posteriormente deslocar-se para Nova Aliança. A moradora ainda questiona a estrutura do batalhão e insiste pela rápida chegada do socorro, que não ocorreu mesmo uma hora após o contato inicial.

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Incêndios intensificam emergência em mais da metade dos municípios do Amazonas

Até 13 de outubro, os incêndios florestais haviam colocado 36 dos 62 municípios amazonenses em situação de emergência, o que corresponde a mais da metade do estado. O avanço do fogo provocou suspensão das aulas, paralisação de atividades ao ar livre, alerta à população e reforço nas operações de combate às queimadas.

Os moradores da comunidade Nova Aliança relatam ter que agir por conta própria em algumas ocasiões para conter as chamas. Sidney Araújo, representante dos moradores, mencionou que cerca de 170 famílias residem na localidade e que, em falta de socorro oficial, os próprios moradores entram na mata para combater os incêndios.

Prejuízos para agricultores locais são graves e frequentes

Carlos Alberto dos Reis, agricultor da Nova Aliança, relatou que as queimadas atingem a região há cerca de 60 a 90 dias, ainda que os bombeiros tenham comparecido apenas uma vez para a propriedade durante esse período. O fogo destruiu plantações de cupuaçu, cacau e abacaxi, essenciais para a subsistência da família, além de danificar cercas, mangueiras de irrigação e ameaçar os locais onde os animais ficam.

Comando local sob investigação e estrutura da corporação fragilizada

O tenente Emerson de Oliveira Silva, responsável pelo batalhão de Manacapuru, era alvo de investigação pela Corregedoria da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, conforme confirmado pelo comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, coronel Orleilso Ximenes Muniz. A apuração envolveria o destino de madeira doada à corporação e suspeitas de repasse de valores em esquema relacionado ao balneário do Miriti.

Além disso, uma lancha da corporação desapareceu no balneário do Miriti em 14 de março, registrada oficialmente como furto, e o caso ainda estava sem resolução policial até a publicação da reportagem.

A reportagem solicitou posicionamentos dos bombeiros sobre as reclamações, a estrutura para combate a incêndios em Manacapuru e as investigações em andamento, mas não obteve retorno até a data de publicação.

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